quarta-feira, 28 de março de 2007

Porque me pareceu que estava um lindo dia pro plágio...


Afirmação

Eu sei que isto é amor.
Procuro o teu olhar se alguma dor me fere, em busca de um abrigo; e por isso mesmo, acredita que já mais que uma vez pensei num lar onde fosses feliz, e eu feliz contigo.
Nunca chorei por ti, mas já chorei de medo de te perder. Nunca te vou escrever nenhuns versos românticos, mas muitas vezes ao acordar procuro-te ao meu lado, como se fosse normal que lá estivesses, como se esse fosse o teu lugar.
Eu sei que isto é amar-te. Porque muitas vezes penso em ti, os teus jeitos leves, o teu sorriso terno... E sinto-me sorrir ao ver esse sorriso, que me faz tão bem, como este sol de Inverno. Passo contigo a tarde, sempre sem receio da luz crepuscular, que enerva, que provoca, porque estar contigo é fácil, porque és seguro. E às vezes dou comigo a olhar-te durante muito tempo e a pensar em por na tua, a minha boca.
Eu sei que é amor. Mesmo que seja só o começo... E sei que é essa a mudança que a minha alma pressente... Amor tenho a certeza que é, por isso sei que te estremeço, que simplesmente morria de te saber ausente.

Ana Faria (adaptação para prosa do poema "Interrogação" de Camilo Pessanha)

segunda-feira, 26 de março de 2007

Porque às vezes há coisas que preciso dizer

Agora que penso nisso, apaixonar-me perdidamente nunca me trouxe nada de bom. Muito pelo contrário. Eu já sou muito pouco estável sozinha e por incentivo próprio, por isso quando me apaixono perdidamente, é uma verdadeira tragédia. Muito choro, muita gargalhada. Nem uma coisa, nem outra muito sinceras. Fico com o coração a mil, com a cabeça a uma milésima. Perco o meu lado lógico e racional e começo a fazer disparates e a tirar conclusões totalmente disparatadas. E, invariavelmente, quando me apaixono perdidamente, nunca acaba bem, e às vezes nem chega a começar. E agora que perdi um bocadinho a pensar nisso, apaixonar-me perdidamente nunca me trouxe nada de bom. Daí reconhecer a necessidade de não o voltar a fazer.

Eu não gosto muito de Lisboa. Nunca fui muito feliz por aqui. Mas não posso deixar de gostar do tempo sem tempo desta cidade. Das primaveras dentro do inverno, dos verões ainda na primavera e daquele frio cortante que nos apanha despercebidos no meio do calor intenso. Não posso deixar de gostar dessas piadas de mau gosto do tempo sem tempo de Lisboa. Que às vezes se esquece que devia estar frio e põe a temperatura acima dos vinte. Que vê toda a gente com roupa quente, preta e triste e lhes espeta com um sol que pede roupa quente na cor, fresca no sentir, vermelhos, verdes, cor-de-rosinhas de felicidade. Não consigo deixar de gostar de aqui estar às vezes. Por causa da aventura que é vestir-me de manhã. Por causa da aventura que foi viver aqui, crescer aqui, encontrar-me aqui. Não consigo deixar de gostar de ti, Lisboa. E apesar de te odiar, de nunca me teres feito feliz, nunca te vou conseguir agradecer o quanto sou feliz em ti.

quinta-feira, 22 de março de 2007

A (gaja) boa, a má (filha) e a solução

Esta noite, finalmente, dormi. Há duas semanas que ía para a cama sozinha, porque o meu sono devia estar numa rave qualquer. Já que só chegava, invariavelmente, depois das quatro da manhã. Achava eu que ele andava na rombóia. Mas ontem, por volta da hora do jantar, reparei que ele estava por perto e decidi sentar-me e ter uma conversa séria com ele. Fiquei espantada (ou então não) quando ele me disse que era eu que o andava a afastar, que ele só chegava quando eu deixava, ou quando já estava cansada de lutar contra ele. Chamei-lhe uns quantos nomes, incluindo "aldrabão", "mentiroso" e todos os seus sinónimos. Depois lá me acalmei e cheguei a conclusão que, tal como os ovos e as batatas, o sono não fala. Mas que de qualquer maneira eu tinha que resolver os meus problemas com ele. O telefonema e a mensagem da minha mãe também exerceram alguma pressão, quer-me parecer. A conclusão a que cheguei não podia ser mais óbvia. Não, não é ansiedade. É medo. Muito medo. Medo de tudo. De ser feliz, de acabar o curso, de não ser feliz, de não conseguir acabar o curso. Olho para o fundo do túnel e vejo a luz. Vejo como ela está tão perto. Mas vejo também todo o caminho que tenho que percorrer até ele. Longo e com muito trabalho, muito doloroso, com muitas armadilhas, com muitas surpresas, com muitas quedas, com muitas desilusões, com muito de tudo. E isso é uma visão que cansa. E assusta. No fundo, é a parte de mim que acha que eu não presto para nada, que nasci para ser infeliz e para ter uma vida miserável, que está a tentar ter razão à força. Mas, a outra parte de mim, aquela que nasceu para conduzir um Volvo, não se vai ficar. Não vai ser uma luta bonita, vai haver sangue, feridos, mortos e aleijados, mas é necessário. E enquanto essas duas partes de mim andam à chapada, eu vou só até ali resolver uns exercícios. Só para passar o tempo. Pode ser que até dê jeito.

sábado, 3 de março de 2007

Olha um pouco mais de perto

O mais engraçado é que a pessoa por quem esperas, não existe. O mais engraçado é que a pessoa que vês, não existe. Acredita em mim, eu sei melhor que ninguém. Essa pessoa não existe. A inteligência que vês, não existe. É só uma ilusão criada para enganar toda a gente, toda a gente mesmo. Para não verem a fraude. O sorriso de que tanto gostas, não é verdadeiro. É só uma máscara que é posta para que ninguém, ninguém mesmo, veja o sofrimento que faz por dentro. A segurança, a garra, a independência, tudo isso que te fascina, não existe. Podes acreditar. É tudo teatro. Foram tudo mentiras que nasceram numa altura em que sobreviver era preciso. Em que não se podia morrer, não era permitido desistir. E as mentiras foram ficando. Porque atraiam as pessoas. Como te atrairam a ti. Mas peço-te, não acredites nessas mentiras. Não te deixes enganar pela sua inteligência, pelo seu sorriso, por todo o brilho. Não te deixes levar. Faz um esforço e luta contra elas. Faz um esforço para veres as coisas como são. Sei que vais fugir assustado com o que vais encontrar por trás do pano. Mas mesmo assim, peço-te. Não acredites nas minhas mentiras.