domingo, 22 de julho de 2007

Sweet escape

Há maneira de saber se alguns dias compensam muitos anos? Há maneira de ter a certeza daquilo que se sente? Não há. Nunca se sabe até as coisas desaparecerem e mesmo nessa altura a frustração, a sensação de ter perdido uma coisa que sabia ser minha tolda-me a visão e faz-me crer que me dói mais do que quero. O que quero agora é continuar a sentir isto e não parar de sentir. Quero sentir isto para sempre. E para sempre sempre foi uma coisa que tive muito cuidado em não deixar entrar na minha vida. É mais fácil acreditar que nunca poderá ser para sempre porque para isso basta-me destruir o que me dão. É mais fácil do que manter. A nossa vida é o que fazemos dela e eu tornei-me naquilo que a minha vida fez de mim. É mais fácil estar sozinha, lutar sozinha, levantar-me sozinha e cair sozinha. É mais fácil confiar só na minha mão. É a única que sempre esteve cá e que vai cá estar para sempre. É a única em que confio. Só confio em mim para me apoiar porque tudo o resto tem prazo para partir. Por isso só deixo que se veja a máscara. O resto não interessa. O medo de não ser a melhor, de nunca mias conseguir ser melhor, de não ser boa o suficiente para conseguir ter o melhor. Isto tudo não interessa e não interessa que ninguém veja. Deixo que acreditem que o riso é verdadeiro, que o coração a bater forte é paixão, que a segurança é sentida. Deixo que acreditem na esperança de me fazerem acreditar. Não acho que seja muito grave não chorar. Chorar faz-me sentir fraca e desprotegida. Há uns anos deixei de chorar por solidão, tristeza, desilusão, medo. Choro com saudades de casa. Permito-me chorar quando estou quase a chegar e quando ainda lhe sinto os cheiros, quando ainda lhe ouço os sons e quando ainda queria continuar a ver a casa. Tenho saudades de casa. Duas pessoas que se amam separadas é quase tão estúpido como duas pessoas que se odeiam juntas. Talvez muito mais estúpido porque doeu como nunca pensei ser possível. De uma maneira que ainda dói e que ainda consigo sentir quando olho para trás, para a frente e para ti.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Paragem cerebral 2.7 - O salto das versões intermédias é para o bem estar mundial. Juro!

Não conseguimos mudar a nossa essência. Não conseguimos mudar o que somos e eu não consigo fugir do que sou. Olho para todos os esforços que fiz para me fazer outra pessoa e não consigo evitar a gargalhada. Que patéticos são. Não consigo evitar rir-me do quanto sou patética. Eu sei que nunca tenho a vida controlada, que é uma coisa impossível. Mas sempre pensei que, para acontecer alguma coisa, estaria dentro de um certo intervalo de porcaria. Intervalo esse bem limitado. Nunca a ir de mais a menos infinito. Quando muito qualquer coisa entre uma multa por excesso de estupidez aguda aliada a irresponsabilidade crónica (as doenças crónicas são fixes porque são desculpas para a vida) e um atestado de solidão para o resto da minha inútil existência derivado do facto de ter um feitio pior do que uma godzilla em dias de período. Mas nunca pensei que a vida, com o seu sentido de humor totalmente despropositado (alguém lhe devia dizer que não há quem lhe ache graça) se fosse pôr a ler-me e a castigar-me por coisas que disse do alto da minha falta de capacidade de estar calada. A palavra nunca foi-me espetada mesmo no meio da cara só para eu não pensar que sou mais que os outros e que nunca mais me ía acontecer uma coisa que disse que nunca mais seria capaz de ultrapassar. Ora toma lá vai buscar. Que é pra não seres parva... Bom, mas eu sou parva. Sou parva e estou a pagar por ter dito que nunca mais me metia em drogas (ai que bem que isto soa!), por ter dito que gosto de viver a correr (não querias correr? então não chora por teres tropeçado!), por ter dito que nunca mais ía ser capaz de me fazer forte e rija e super qualquer coisa. Porque agora vou ter que pegar em mim e ser capaz de tudo. Outra vez. Posso ficar a dormir? Não senhora, tens mais que fazer e há quem espere por ti. Posso parar para descansar? Não senhora, tens o comboio da vida para apanhar e há quem espere por ti. Posso chorar? Só um bocadinho. Sinto-me tão triste... Minha menina estou-me positivamente a cagar e negativamente nas tintas. Faça favor de lenvantar esse cu e tome lá um copinho de água para empurrar um velho amigo. Reatar velhas amizades é realmente uma coisa bonita. Faz-nos ver como fomos, como somos e que no meio fomos uma bela merda. Agora é a altura de fazer da maneira certa, tomar uma dose de responsabilidade empurrada com um suminho do que tem mesmo que ser. É a minha vida. Igualzinha à de ontem, totalmente diferente à de ontem. Tu és capaz. E se não fores basta fingires. Anda tudo distraido. A menina tem uma doença crónica, aprenda a viver com isso (Xina pá, o que eu curto doenças crónicas! Não me lembro já bem porquê...). Duas pessoas que se amam separadas é quase tão estúpido como duas pessoas que se odeiam juntas. Vá, talvez um bocado mais estúpido porque dói mesmo aqui tão perto. Juntamente com a dor de todas as outras revoltas, aquelas que gritam que não é justo, que não devia estar a acontecer e qualquer coisa como vai chatear outro. Parabéns. Nível de coerência: zero.