quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Gosto de ti porque...

... se não fosses tu eu não nascia
... se não fosses tu eu não comia
... se não fosses tu eu não ia à escola
... se não fosses tu eu não era esperta
... se não fosses tu eu não tinha oportunidades
... se não fosses tu eu não crescia
... se não fosses tu eu não tinha força
... se não fosses tu eu não tinha chão
... se não fosses tu eu não tinha tecto
... se não fosses tu eu não tinha coração para te dizer que te amo daqui até ao Japão.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Escudos

É assim que começa. Perco o chão. Perco a noção. Fico sem saber de onde vem tudo, sabendo bem que estou a criar tudo na minha cabeça, que estou a inventar tudo, para sentir o coração a bater, o sangue a fluir, a vida a percorrer-me as veias. Escolho a banda sonora, deixa-a entranhar na pele. Faço uma colecção de imagens meias reais, meias vividas, muito imaginadas. Antes que consiga perceber o que me estou a fazer, estou a viver num filme que eu própria produzi e realizei, onde sou a única protagonista, em que todos os outros são apenas figurantes apanhados sem saber como na minha demência, na minha necessidade de ter o volume no máximo. Do nada cria-se uma felicidade com vida própria que sem mais nem menos se transforma em dores reais, porque não há no mundo nada que se compare ao que quero sentir. E de repente já nada me chega, já nada me é indiferente, conversas de mensagens vazias já não me fazem acreditar que sou importante.Perco-me em mim e sinto a necessidade urgente de fugir da bolha que criei, já povoada por actores de livre arbítrio. Mas quando vejo que já não sou eu que controlo as saídas, perco a cabeça. Perco o norte no meu próprio mundo e procuro em vão onde me agarrar, mas a sensação de estar a cair outra vez é pungente e deixa-me sem ar. Começo a lutar como sei, a inflingir golpes às cegas, acertando exactamente onde quero com uma precisão cirúrgica. É assim que começa. Não tenho chão. Nem noção.