quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

The right stuff

Sempre achei que, nesta vida, haviam coisas que durariam para sempre. Mas, mais que isso, sempre achei que a nossa amizade duraria para sempre. Era o facto de a nossa amizade existir e ser tão segura que me fazia acreditar que há coisas que estão destinadas à eternidade. Era isso que me fazia acreditar que tinha que existir também um amor assim. E quando acordei um dia e tu já não estavas, não pude deixar de pensar que se a nossa amizade não tinha durado para sempre, mais nada podia durar. Na verdade, acho que deixei mesmo de acreditar um bocadinho no amor. Apesar de ser uma romântica e uma apaixonada incurável eu sabia que a paixão, o amor, o afecto, tinham um prazo para expirar. Eu sabia que não iam ficar para sempre. Eu sabia que acabariam por se ir embora. Como tu foste. Se eu não te tinha conseguido manter, se eu não te tinha conseguido guardar para mim, eu sabia que seria incapaz de guardar o que quer que fosse. E acho que não podia ter mais razão. Perco tudo. Mando tudo embora. Mas a vida tem um gosto especial em pregar-nos partidas e mostrar-nos que não sabemos nada. E pôs-te outra vez no meu caminho. Como se estivesse a dizer "Achavas que podia ser de outra maneira?". Acho que não. Acho que não podia ser de outra maneira. Porque senão havia certas coisas que não podiam fazer sentido. Como a expressão "melhor amiga". Expressão que sempre me recusei usar com qualquer outra pessoa. Tenho grandes amigas e amigos, sem dúvida. Pessoas que são o mundo para mim. Mas não posso olhar para trás, ver o que nós tínhamos, ver o que nós contruimos, ver-nos a nós e pensar que não és diferente. E pensar que não somos diferentes. É bom voltar a acreditar que há coisas que duram para sempre. E é ainda melhor acreditar que eu possa merecer isso. Podia ser de outra maneira?

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Nota(s) mental(es)

1. A honestidade não é a melhor coisa do mundo.
2. A honestidade é muito bonita em teoria mas na prática não funciona.
3. Dizer tudo que te passa na cabeça não é ser honesta, é ser estúpida.
4. A honestidade vai trazer-te o dobro dos problemas que tinhas antes de abrires a boca. Neste caso em particular, o dobro de nada não é nada.
5. Quando alguém te disser que gostava que fosses honesta, não acredites! As pessoa não fazem a mínima ideia do que querem.
6. Mesmo que penses que sabes o que uma pessoa quer, ignora. Em metade dos casos as pessoas agem contrariamente às suas vontades (diz que enrijece...) e na outra metade as pessoas não fazem a mínima ideia do que querem.
7. Nunca digas a ninguém que sabes o que queres e o que não queres. Ninguém gostas de espertinhos que sabem tudo.
8. Nunca digas a ninguém que sabes o que essa pessoa que e o que não quer. Vais confundi-la. Ela não faz a mínima ideia do que quer.
9. Pára de pensar que sabes o que queres, o que não queres, o que os outros querem e o que os outros não querem. Mesmo que saibas, não te vai servir de nada.
10. A ignorância é uma bênção. A tua e a dos outros.

Conclusão (óbvia, por sinal): dez coisas muito simples que podias ter em mente em certas alturas em que te achas iluminada. Dez coisas simples e neste momento podias escrever o post que realmente querias escrever. Pensa nisso. Mas pensa com a boca fechada, sim?

sábado, 16 de dezembro de 2006

Guess I missed your smile

Dizem que a maternidade é uma bênção, que altera por completo a vida de uma pessoa e eu concordo plenamente. Mas ser tia (sim, ponderei por momentos escrever "tiedade...") também é qualquer coisa de extraordinário. E eu não sabia. Mas o meu sobrinho, aquela pirralho que a única coisa que sabe fazer bem é borrar-se até às costas, mostrou-me uma nova luz. Não é porque ele é lindo, fofo ou outra treta qualquer. Isso são todos os bebés. É porque és meu. É porque quando me mandam falar contigo, como eu sei que tu não entendes uma palavra do que eu digo, começo a recitar coisas que sei de cor (teoria da relatividade, como fazer um root-locus, trânsito de energia numa rede eléctrica...) e tu respondes-me com o mais largo dos sorrisos. É porque quando me vês por perto e estás cheio de sono, começas a berrar porque sabes que te vou pegar ao colo e levar-te a passear pela sala até adormeceres, porque não tenho paciência para te ouvir e vou contigo até à China, se for preciso. É porque eu sou a primeira a adormecer quando devia estar a adormecer-te, mas quando acordo vejo que também adormeceste, porque te sentiste em segurança, mesmo comigo a dormir. É porque sinto a tua falta, mesmo quando não estou a pensar em ti. Hoje fui buscar-te ao aeroporto. Meu Deus, o aperto que senti quando te vi. Um aperto chamado amor incondicional. Abracei-te até me doerem os braços e senti-me feliz até me doer a cara de sorrir. Promete-me que vais saber sempre quem sou, o que sou para ti e o que és para mim. Promete-me que nunca te vais esquecer de mim enquanto cresces, enquanto te tornas tu. Promete-me que me vais amar sempre, que vais saber sempre que te amo muito. Promete-me que vais pensar muito em mim, com muito carinho. Promete-me que nunca me vais deixar num canto da tua lembrança. É que sabes... nem sempre vou estar por perto. E sabes... isso magoa-me muito.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Se calhar até estou um bocadinho triste...

O que é que nos faz perder a esperança? Perder a esperança em nós, nos outros, no amor, no futuro, no mundo. O que nos faz desistir de tudo, baixar os braços, virar as costas à luta e simplesmente deixar andar? Quando é que decidimos que não vale a pena, que nada vale a pena? O que nos faz pensar que perdemos o encanto? O que nos faz pensar que já não há quem nos possa encantar? O que nos leva a olhar para a frente e não ver razão para caminhar para lá? O que nos leva a olhar para trás e não ver o bom, achar sempre que foi tudo mau? O que se passa que no fim do dia parecemos esgotados, mesmo que o dia não tenha sido esgotante? O que nos faz pensar que já fomos muito capazes, mas que agora já perdemos as capacidades? Porque é que pensamos que seguramente o amor da nossa vida está numa das nossas relações fracassadas? Porque é que achamos que nunca mais aparece alguém? Quando é que começamos a achar que nunca mais vai aparecer ninguém? Quando é que perdemos a esperança? E se a perdermos, podemos voltar a encontrá-la?
Não devia escrever quando estou com esta disposição.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

O sítio onde nunca estive

Vinha no caminho para casa a pensar que queria escrever um post sobre o amor. Aquele amor que nos apanha distraídos, vai contra nós, atira-nos ao chão e nos deixa sem respirar. Aquele amor que não conseguimos evitar, não podemos evitar e, acabamos por descobrir, nunca quisemos evitar. Mas, ainda antes de chegar a casa, cheguei à conclusão que era impossível escrever esse post. É impossível escrever sobre uma coisa que não tenho em mim, sobre uma coisa que não estou a sentir. O que tem a sua graça, porque eu sou uma pessoa muito apaixonada, muito emotiva. Amo ou odeio, tenho dificuldade em encontrar-me no meio termo. E, por algum motivo, não sei se é protecção, não sei se é preguiça, não sei se é desanimo, dei por mim exactamente aí. Não odeio o meu passado, não amo o meu futuro. Mas qual futuro? Estou a fazer uma coisa que nunca fiz. Estou a olhar para um futuro que não está lá. E não estou a fazer nada para o ter. Sei o que quero, sei o que não quero, mas não faço nada. Deixo as coisas correrem. Não corto com o que não quero, limito-me a não pensar muito nisso, limito-me a fingir que não está lá. E no fim do dia reparo que mais um dia passou sem o meu passado estar presente. Deixo as coisas correrem. Não me agarro ao que quero, porque não posso, porque o que quero não está ao meu alcance, limito-me a conformar-me com isso, limito-te a fingir que não quero. E no fim do dia reparo que o que quero esteve no meu presente, mas continua sem estar no meu futuro. Não sei se mudei, não sei se cresci, não sei se perdi a capacidade de estar apaixonada. Só sei que as coisas estão diferentes em mim. Sei que me sinto mais equilibrada, que fica mais difícil tropeçar. Porque tudo, o bom e o mau, tem menos importância. Não os deixo entrar na minha vida. Por enquanto vou-me deixar ficar assim. Vou contentar-me em deixar o carinho no olhar que ninguém vê, em deixar o toque num gesto que não fiz. Por enquanto é quanto basta. Afinal acabei por escrever um post sobre o amor. Aquele amor que vemos chegar, que nos pede licença para entrar, que nos levanta do chão e que nos ajuda a respirar. Aquele amor que devia estar sempre presente, no passado e no futuro. Acabei por me amar a mim.

domingo, 10 de dezembro de 2006

Cada traço, cada sombra, cada silêncio

Houve um dia qualquer que bati com a cabeça na mesa de cabeceira ao acordar e decidi que a melhor maneira de lidar com a natureza complicada das pessoas era sabê-las de cor. E tornei-me tão boa nisso que às vezes me chego a assustar com o tanto que sei de pessoas que conheço tão pouco. E se eu alguma vez pensei que isso me ia ajudar não podia estar mais enganada. Se dói quando nos dizem que não, dói ainda mais quando nos dizem que não mas nós estamos a ver que sim. E quando chegamos ao extremo de conhecer uma pessoa tão bem como ela própria, muitas vezes corremos o risco de vermos coisas nela mesmo antes dessa pessoa se aperceber. É um sentimento de impotência que não consigo descrever. Ver o caminho com clareza mas não poder pegar na mão para guiar. Eu não estou a ser pretensiosa. O que faço não é muito difícil. Na verdade, ficar a conhecer bem uma pessoa é uma coisa muito fácil. No meu caso passou mesmo a ser automático. Não consigo começar a conhecer uma pessoa sem ceder ao desejo de a saber de cor. Começa-se por coisas pequenas. A maneira como mexe no cabelo. O tique nervoso de bater com a caneta no papel enquanto pensa. Uma marca escondida. A maneira como fala de certas coisas. A maneira como reaje a certas situações. E, de repente, dou por mim a antecipar frases, a antecipar reacções. E a ficar espantada por acertar. Mas tudo isto não faz das pessoas menos complicadas. Não faz as pessoas mais fáceis de perceber. Só me deixa mais confusa ao vê-las tão contrárias ao que sentem. Só me deixa mais triste porque o gesto que corresponde ao olhar que me prendeu nunca vai chegar.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Pormenores ou coisas maiores

Acabei de fugir do mundo. Queria estar sozinha, queria ir para casa. Mas quando cheguei a casa, e vi montes de lugares de carros vazios, porque foi toda a gente passar o fim de semana a qualquer lado, percebi que o que eu queria era sentir-me em casa. Queria ouvir a voz do meu pai a ralhar comigo porque passo muito tempo no computador e devia estar a pesquisar coisas para o meu futuro, queria ir até ao quarto e ver a minha mãe a ver a novela, queria deitar-me às três da manhã no colchão no chão do quarto dos meus pais, queria apertar o meu sobrinho com força... Queria estar em casa. Queria sentir o calor de tudo que faz parte de uma vida. Queria esquecer o frio que faz cá dentro. Nem que fosse só por um bocadinho. Só por esta noite. Acho que hoje dei muito de mim. Por isso me sinto assim tão vazia. Porque não sei parar de dar. Dou até dar também a força que me estava a aguentar. E depois não tenho onde me apoiar. Só queria um gestozinho. Um "gostamos de te ter aqui". Não se pode ter tudo, não é? Devia saber que quando uma coisa exige muito esforço de mim é porque estou a forçar alguma coisa, estou a esticar a corda. Sabes o que queria que visses quando olhas para mim? A minha independência, a minha inteligência, a minha graça, a minha garra. E o meu cachecol cor-de-rosa.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

A coisa mais bonita que me aconteceu hoje

Foi uma paixão descoberta sem querer. Não foi bem descoberta. Foi daquelas coisas que se atiram contra nós quando estamos a olhar para o outro lado. E o que torna tudo mais espantoso é que não a ouvi, pela primeira vez, nesta versão. E de todas as versões que havia na net, esta foi a primeira que me caiu nas mãos. Nem sequer é a versão original, essa tem só instrumentos de cordas. Mas foi paixão à primeira vista. Foi um clickão, digamos assim. E estou de tal maneira apaixonada que, agora que acabei o relatório de máquinas (depois de ter inventado uns quantos valores para umas certas correntes...), em vez de ir dormir, já que amanhã tenho que acordar pornograficamente cedo, tive que vir partilhar com o mundo (que é como quem diz com a meia dúzia de pessoas que se dá ao trabalho de ler isto, sendo que metade dessas são obrigadas) a minha paixão. Ouçam até ao fim, pode ser que sintam um bocadinho do que eu sinto. Porque é que estou apaixonada? Não sei. Não se escolhe quando nos vamos apaixonar. Acontece e pronto.

Solo de piano de Bach em Ré Maior da música "Kanon" de Johann Pachelbel

Curiosidade:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Johann_Pachelbel

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Antes de avançar, escute. Não vai ser preciso olhar.

Hoje estou aqui para falar do click. Tudo, nesta vida, faz click. Até me atreveria a dizer que tudo depende do click. Eu sou apologista do sim ou não, não do talvez; do preto ou do branco, não do cinzento. Ou ainda, como já aqui disse, de um mundo binário (quando uma piada não resulta, não devia ser repetida...). E o que separa o zero do um é, nem mais nem menos, que o click. Não percebo diagramas de Nyquist (zero) - click - Percebo diagramas de Nyquist (um). Não consigo servir no ténis (zero) - click - É raro falhar um serviço no ténis (um). Sem falar nos clicks óbvios, aqueles que se sentem quando achamos piada a alguém. Se acreditarmos na sua existência, se tivermos bem atentos, é muito difícil falhar um click. Se estivemos a nadar em águas turvas e de repente vemos tudo com clareza, algures pelo meio houve um click, não tem nada que saber. Hoje estou aqui não só para falar do click, mas para falar de um click em especial. O fim de uma relação é uma coisa muito dura. Parece que o click nunca mais vem, parece que aquela pessoa nunca mais vai deixar de mexer connosco. Mas não pode ser assim, senão é impossível seguir em frente. Uma pessoa não pode ser importante para nós para sempre. Uma relação e os momentos que ela nos proporcionou, sim. Mas só conseguimos ver essa diferença depois do click. Antes do click sempre que nos lembramos dessa pessoa, ou sempre que a vemos, ficamos sempre na dúvida. Sentimos a pessoa longe, sentimo-nos longe mas ainda se sente qualquer coisa. O nosso estômago ainda sente necessidade de efectuar malabarismos. E dói tanto... Depois do click sentimos exactamente a mesma coisa. Mas sentimos mais uma coisa. Sentimos que já passou, que já acabou. E já não dói tanto. E conseguimos ver claramente que, por muito bom que tenha sido, nunca mais vai voltar a ser. E isso sim, dói pra caraças! Porque a perda dói sempre. Não estou a falar de perder a pessoa, estou a falar de perder a intimidade, a felicidade, a paixão. Estou a falar de perder os sentimentos. Se deixamos de gostar devia deixar de doer, não é? Pois eu digo que enquanto não chorarmos pela perda da relação é porque ainda andamos a chorar a perda da pessoa. É porque ainda não houve o click. Eu andava, ansiosamente, à espera do meu click. Houve vezes em que me pareceu que o tinha sentido, mas passado um bocado tornava-se claro que estava errada. Até que ele chegou na única altura em que não estava à espera dele (e não é sempre assim?). Apanhou-me quando eu esperava ainda amar muito, quando pensava que ainda podia amar mais. E, de repente, click.

domingo, 26 de novembro de 2006

Os amanhãs andam cheios de pressa

Se me perguntassem do que é que tenho mais medo, o mais provável era responder que era de répteis. Mas não é verdade. É verdade que morro de medo de cobras, lagartos e todos os seus primos chegados ou distantes, mas esse medo não se compara ao medo que tenho de um novo dia. Nada me assusta mais do que saber que assim que fechar os olhos e adormecer, estou a abrir a porta para outro dia. Um dia cheio de incertezas. Um dia cheio de coisas novas. Este dia que acabou é um dia seguro, porque já passou. Já não tem surpresas desagradáveis à minha espera. Já sobrevivi a ele. Mas quem me diz que vou sobreviver a amanhã? Amanhã tenho que tomar a decisão de me levantar da cama. Amanhã tenho que decidir o que vou vestir. Amanhã tenho que decidir se vou estudar, se vou trabalhar, se vou conversar para a esplanada, se quero companhia para o almoço, se quero companhia para o jantar, se quero ser simpática, se quero dizer umas piadas... Amanhã tenho que decidir como vou existir. Mas não é só isso. Amanhã vou ter que decidir se me levanto quando for derrubada. E não me apetece nada tomar essa decisão. Apetece-me ficar aqui deitadinha, sozinha, isolada. Sem ninguém para impressionar, sem nada para provar a ninguém. Mas não posso. Tenho que me levantar, encher o peito e obrigar o universo a conspirar a meu favor. Mas, se calhar, só amanhã, vou-me deixar vencer. Só desta vez. Só até ter forças outra vez. Se calhar, amanhã vou-me deixar ficar. Mas só desta vez.

sábado, 25 de novembro de 2006

Dói muito dizer que não

Como é que podes continuar a ser o amor da minha vida se deixei de te amar? Sim, foi isso que senti. Senti todo o vazio que arranjaste para mim. E nesse vazio não te consigo amar. Interessa-te que já não te ame? Não me parece. Tu também não sentiste nada, pois não? Só a velha familiaridade. Só a certeza de já saber tudo de cor. Só a certeza de tudo que já foi e que de tudo que não pode voltar a ser. Já te disse que já não te amo? Mas ainda amo tudo que fomos um para o outro. Tudo que demos um ao outro. Tudo que ficou por dar. Ainda choro por nós. Ainda nos amo. Ainda és o amor da minha vida. E não podia ser de outra maneira. Não podia ser de outra maneira depois da forma que te amei. Eu sei que não notaste e sei que nunca vais chegar a perceber o amor que tinha por ti. E esse é o preço mais alto que vou pagar. Mas o mundo avança, a vida avança e nos também temos que avançar. Não nos é permitido voltar para trás, não nos é permitido parar. Agora só me resta já não te amar.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Quando a esperança vai de férias...

O mundo é muito complicado para mim. As pessoas são muito complicadas para mim. O que faz uma pessoa mostrar que sim quando pensa que não e mostrar que não quando pensa que sim? Eu penso, penso e não consigo perceber. Não faz sentido nenhum. Não entendo como as pessoas podem fazer-se difíceis. Como? Quando quero uma coisa e essa coisa me é oferecida, eu não consigo dizer que não, não consigo fingir que me é indiferente, eu fico alegre. E porque não? Se era o que eu queria... Eu só tenho duas maneiras de ser. Quando quero, sou fácil. Quando não quero, sou impossível. Mas, aparentemente, devo ser só eu. Só eu é que devo ver o mundo de modo binário (piada de engenheiro, não foi possível evitar...), só eu é que devo ver o mundo a preto e branco. Porque quando falo nisto a outras pessoas dizem-me que as coisas não são assim tão simples, tão lineares. Eu sei que nunca vou chegar a uma conclusão sobre este assunto, sei que as pessoas vão ser sempre complicadas e difíceis, sei que o mundo vai ser sempre complicado e a cores (umas mais bonitas que outras). Mas apeteceu-me dizer qualquer coisa, não sei porquê. Por enquanto devia aprender a não medir as pessoas por mim.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Uma é minha, outra é tua, outra é de quem apanhar ou coisas simplesmente sem sentido algum

Eu não tenho: juízo, rabo, um lamborghini, o curso de Engenharia Electrotécnica e de Computadores (ainda...), ninguém à minha espera em casa, tempo a perder, vontade de me prender, tempo para ir ao cinema, nenhum livro por ler em casa, bom feitio, vontade de desaparecer, tempo para toda a gente, amor próprio, personalidade jurídica, fé, comida em casa, vontade de me perder (outra vez), uma única cueca fio-dental, pressa de ter filhos, muita inveja, queda para ser um doce, queda para fazer doces, música favorita, vontade de ir dormir.

Eu tenho: sardas, um cabelo bonito (eu gosto!), poucos amigos, os melhores amigos, os melhores pais (primários e secundários), a melhor irmã, as melhores primas, dois neurónios completamente funcionais, estupidez com fartura, vontade de ir ao cinema, garra, mãos feias, vontade de me prender (e esta, hein?), muitos livros em casa, músicas da Britney Spears no portátil (as verdades são para ser ditas), músicas da Britney Spears no iPod (...), um feitio de merda, muitas saudades de tempos passados, os livros todos do Harry Potter, um pólo com dupla personalidade, muito, mas mesmo muito, sono.

Eu queria (para o Natal, quem sabe...): Acho-te graça. Também te acho graça. Sou capaz de até gostar um bocadinho de ti. Sim, acho que sim. Hoje não tenho tempo. Vou ter saudades tuas. Dá-me um beijinho. Não. Dois? Ok. Tens meia hora para tirar daí a mão. Coisas simples. Vidas simples. Existências felizes. Existências completas. Sabe bem tudo tão certo. O que me dirás se o tempo nos der o tempo a que temos direito? Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

Objectivo do post: provar à Ana Catarina que sei escrever lamborghini.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Os meus óculos especiais

É muito raro desiludir-me com alguém. Eu acredito até ao fim que as pessoas são boas, mesmo que tenham momentos menos bons. Acredito sempre que as pessoas são interessadas, preocupadas, cuidadosas com os sentimentos dos outros. É o que eu ofereço a quem gosto e acho normal esperar o mesmo de volta. Como é óbvio, esta é uma versão do mundo com muitas falhas. Mas mesmo assim é muito raro desiludir-me com alguém. Mas às vezes acontece-me. Apanha-me sempre de surpresa e de todas as vezes deixa-me triste. O que faço é tentar sempre lembrar-me dessa pessoa da maneira como a vejo e não da maneira que ela se mostrou a mim. É a maneira que tenho de equilibrar o meu mundo, de poder continuar a acreditar que o mundo é assim mesmo, que não sou eu que o vejo através dos meus óculos cor de rosa.

domingo, 12 de novembro de 2006

A simple sunday in paradise

Domingo. Pus o despertador para as dez da manhã (mais quatro horas do que é habitual!). Quando tocou desliguei-o. Sem ficar com a consciência pesada. Sem a sensação que estava a falhar a alguma coisa. Levantei-me às onze e qualquer coisa. Porque me apeteceu. Não tinha onde estar nem ninguém à minha espera. Liguei o rádio e fui preparar as minhas coisas. Pus a minha prancha debaixo do braço e fui para Carcavelos de onde só ía sair com o sol. Era uma promessa que estava disposta a cumprir. Estive no mar do meio dia à três da tarde. A apanhar umas ondas, a enrolar-me noutras, porque estou muito longe de saber fazer surf. Mas mesmo assim sabe bem, faz-me bem. E o resto não interessa nada. Saí da água cheia de fome mas sabendo que a melhor companhia de todas me esperava. Só se os meus pais lá estivessem seria tão bom. O almoço/lanche a olhar para o mar. A conversar de nada, a fingir que o mundo era aquilo. Aquela praia, aquele afecto, aquele momento. O sol pôs-se sem pressas. Como se me quisesse dizer que estava a prolongar o meu dia. Porque foi isso que senti. Que aquele dia me pertencia e que nada podia ser diferente da minha vontade. E foi um dia perfeito.

sábado, 11 de novembro de 2006

Se um mosquito incomoda muita gente, duas melgas incomodam-me muito mais

Estou aborrecida com o mundo dos insectos. Toda a gente conhece as minhas origens africanas e sabe que de onde venho há mosquitos que matam! Mas por cá tal não se verifica. O bicho, em si, é mais ou menos o mesmo. Pequeno, irritante e tal e coiso. Mas não mata. Em primeiro lugar nem tem poderio para ser chamado mosquito, chamam-lhe melgas. Que só por si já não abona muito a favor do animal. O que eu não percebo, e daí a fonte do meu aborrecimento, é que, como é que uma melga, que nem tem capacidade para transmitir uma doença (quanto mais uma doença mortal!), é capaz de fazer estes estragos em mim. Estou com um inchaço no braço, que além de ser feio, incómodo e de me dar comichão, ainda me doí. Ao menos tinha a decência de me passar uma hepatite, ou qualquer coisa do género. Agora digo o quê? "Ah, tou assim porque sou alérgica a picadas de melgas."? Pelo amor de Deus, é que nem sequer me fica bem. Epá, não percebo...

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Eu, mas em ponto pequenino

Hoje dediquei a minha tarde a ler blogs. Porque gosto de ler. E porque não me apetece fazer o que tenho que fazer (mais uma vez...). Hoje dediquei a minha tarde a ler blogs. E senti-me pequenina. Há várias maneiras de nos sentirmos pequeninos. E eu odeio-as a todas. Sentir-me pequenina faz-me ter vontade de ser confortada, sentir-me pequenina dá-me vontade de me esconder num buraco pequenino como eu, sentir-me pequenina dá-me vontade de fugir e de não lutar. Mas que porra, eu sempre fui pequenina e sempre me fiz grande! Nunca pedi para me confortarem, porque não saberia o que fazer se esse conforto me falhasse; nunca me escondi, porque se o fizesse não podia ser vista, não podia ser notada; nunca fugi, sempre lutei, porque... Sei lá porquê. Porque não sei ser de outra maneira. Porque já perdi muita coisa por não lutar. Porque quando se luta consegue-se (quase) tudo o que se quer. E só isso não é motivo suficiente para continuar a lutar? Hoje dediquei a minha tarde a ler blogs. E senti-me pequenina. Mas já me passou.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

A minha transparência

Uma pessoa disse-me que não percebia porque é que as pessoas expunham a sua vida na net, que achava que era uma estupidez. Disse-me isto depois de ler o meu blog. Como é óbvio não foi uma coisa que me caiu muito bem. Como a pessoa em questão pode verificar na altura. E, como tal, não podia perder a oportunidade de me defender, de defender uma coisa que até tem alguma importância para mim. Mas, na verdade, a única coisa que tenho a dizer é que não há aqui nada escrito que não possa ser lido em mim, na minha cara, nos meus olhos, no meu sorriso. Ou na falta dele.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Do coração para o papel, sem passar pela cabeça

Tenho que parar de olhar para os lados. Tenho que parar de me procurar nos outros. Tenho de ser inteira sozinha, tenho que ser completa só por mim. Tenho que parar de achar que a vida tem que ser repleta de acontecimentos, tenho que saber estar em paz, tenho que saber estar quieta. Tenho que deixar de esperar que a minha disposição seja controlada por coisas que eu própria não consigo controlar, que não esteja dependente de mim. Para dizer a verdade estou cansada. Faço o que posso para que a minha vida não pare, para que eu não pare, para não pensar. Mas estou cansada. Quero poder parar, quero poder pensar, mesmo que isso me faça sofrer, mesmo que me faça chorar. Não quero estar sempre a cair, nem sequer estar sempre a levantar-me. É verdade que me faz mais forte, mas estou farta de ter que ser forte. Quero poder declarar fraqueza, como qualquer pessoa. Quero poder dizer que desisto, quero poder largar tudo, sem remorsos. E voltar quando me apetecer. Ou nunca mais voltar. Quero experimentar-me. Quero conhecer-me. Quero parar de tentar encantar, quero que parem de me encantar. Quero ser só mais uma pessoa, não quero ser única, não quero ser especial. Quero parar de me fazer especial, quero parar de tentar ser importante. Já me perdi, já não sei se esta sou eu ou se esta é alguém que quero que vejam. Vou parar tudo e ficar só comigo. Vou parar o mundo e só o ponho a andar quando me aceitar como sou, como tenho que ser, quando me sentir equilibrada. Vou parar. Agora.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Gosto que me enganes

Gosto da tua urgência por mim. Gosto de te poder completar no fim de uma só noite. Gosto da paixão da tua boca, sem estares verdadeiramente apaixonado por mim. Gosto do fogo do teu toque sem saber quando o vou sentir outra vez. Gosto desse sorriso estúpido na tua cara que não quer dizer rigorosamente nada. Gosto de fingir que não quero saber de ti só para me poder encantar com um olhar mais prolongado. Gosto que não queiras saber de mim enquanto estou cá, mas que fiques doido com a ideia de me perder. Gosto que penses que me podes perder, porque isso significa que achas que me tens. Gosto que queiras saber de mim sem querer perguntar. Gosto dessa expressão de quase carinho, quase amor, quase paixão, no fundo de quase nada. Gosto da maneira como te pões a olhar para mim, para me prender, sem te deixares prender. Gosto que me faças acreditar que sou importante, que me faças sentir importante, que sejas importante para mim.
Sim, gosto que me mintas, gosto que me enganes.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Resolvi partir

Eu vejo a vida como uma estrada que tenho que percorrer. Uma estrada com várias opções de caminhos e cabe-me a mim decidir qual escolher. Às vezes escolho o caminho que acho ser melhor, às vezes escolho o caminho mais fácil e muitas vezes limito-me a deixar-me levar. Assim, a minha estrada vai-se formando consoante tomo as minhas decisões. Neste momento estou a acabar um troço de estrada e estou a preparar-me para iniciar um novinho em folha. Mas, ao fechar esta fase da minha vida, não consigo evitar parar e olhar para trás antes de seguir em frente. Para ver o que escolhi deixar. Para ver o que escolhi perder. Para ter consciência das minhas escolhas. Porque é isso que me vai fazer tomar melhores decisões e escolher melhores caminhos daqui para a frente. E mesmo que partir seja difícil e muito doloroso, eu sei que é melhor. Sei que este novo caminho é melhor para mim. E o que acabou será sempre lembrado como um dos mais importantes nesta minha estrada.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Aquilo que preciso dizer

Quem me conhece sabe que escrever sempre foi uma coisa que me fez bem. É a escrever que organizo a cabeça, que tomo decisões e que fico em paz comigo mesma. As letras sempre foram boas ouvintes, as palavras grandes amigas. Cada frase escrita é uma ideia assente que me ajuda a conhecer-me melhor.
Assim, espero que quem visite este blog se sinta à vontade, se sinta em casa, mas mais importante, que se sinta na minha companhia.
Boa estadia.