No final do dia, o que é que é realmente importante? Naquele bocadinho em que já vemos o sonho, mas ainda temos o olho no mundo de cá. Naquele bocadinho em que o cérebro já só vê a preto e branco e as imagens que nos dá não foram por nós pedidas. Nessa altura, no final do dia, o que é que é realmente importante? O que é que nós mostramos a nós mesmos sem a nossa autorização? O que é que tentamos dizer a nós mesmo quando pensávamos que já tínhamos dito tudo? Não é a relação. Não é, com certeza, aquela relação que ainda não deixa os filmes acabar, que ainda faz rir de coisas parvas e que nos vão irritar no futuro. Não. Não é isso que passa. Não é a afirmação. Não é, com certeza, a luta que travamos todo o dia para mostrarmos que existimos e como existimos tão bem, como somos orgulhosos de nós mesmos, mesmo que o outros não tenham reparado como somos belos, inteligentes e interessantes. Não. Não é isso que passa. Não é a casa que queremos comprar, não é a pessoa especial que queremos encontrar, não são os filhos perfeitos que queremos ter, não são os amigos todos, os que estão, os que já foram, os que ainda vão chegar. Não é, com certeza, isso que passa. O que passa são os nossos desejos mais ardentes, são os nossos maiores medos, é o desejo de amanhã poder ver aquelas pessoas que são realmente importantes, é o medo de amanhã não conseguirmos ver aquelas pessoas que são realmente importantes, é o desejo de sermos mesmo aquilo que queremos ser, é o medo de nunca lá chegar. O que passa é a saudade do pai, da mãe, da irmã, é o desejo de os ver outra vez, mas desta vez, que possa ser para sempre. O que passa é o escritório no edifício alto, a certeza de que aquele é o meu lugar e que ninguém o merecia mais que eu. O que passa é a certeza que temos o universo a conspirar a nosso favor. Porque fizemos por isso e só porque sim, só porque somos nós. O dia está quase a acabar e pergunto-me: no fim deste dia, o que vai ser realmente importante? Quando me deitar na cama, quando fechar os olhos, quando estiver pronta para sonhar, sei que vou ver o mesmo que vi no fim do dia de ontem. Porque, no fim do dia, o nosso coração não é grande, para que caiba toda a gente. Porque, no fim do dia, o nosso coração encolhe e fica do tamanho certo. Do tamanho certo para que só caiba o que é realmente importante.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
Podemos encolher sem nos tornarmos pequeninos
No final do dia, o que é que é realmente importante? Naquele bocadinho em que já vemos o sonho, mas ainda temos o olho no mundo de cá. Naquele bocadinho em que o cérebro já só vê a preto e branco e as imagens que nos dá não foram por nós pedidas. Nessa altura, no final do dia, o que é que é realmente importante? O que é que nós mostramos a nós mesmos sem a nossa autorização? O que é que tentamos dizer a nós mesmo quando pensávamos que já tínhamos dito tudo? Não é a relação. Não é, com certeza, aquela relação que ainda não deixa os filmes acabar, que ainda faz rir de coisas parvas e que nos vão irritar no futuro. Não. Não é isso que passa. Não é a afirmação. Não é, com certeza, a luta que travamos todo o dia para mostrarmos que existimos e como existimos tão bem, como somos orgulhosos de nós mesmos, mesmo que o outros não tenham reparado como somos belos, inteligentes e interessantes. Não. Não é isso que passa. Não é a casa que queremos comprar, não é a pessoa especial que queremos encontrar, não são os filhos perfeitos que queremos ter, não são os amigos todos, os que estão, os que já foram, os que ainda vão chegar. Não é, com certeza, isso que passa. O que passa são os nossos desejos mais ardentes, são os nossos maiores medos, é o desejo de amanhã poder ver aquelas pessoas que são realmente importantes, é o medo de amanhã não conseguirmos ver aquelas pessoas que são realmente importantes, é o desejo de sermos mesmo aquilo que queremos ser, é o medo de nunca lá chegar. O que passa é a saudade do pai, da mãe, da irmã, é o desejo de os ver outra vez, mas desta vez, que possa ser para sempre. O que passa é o escritório no edifício alto, a certeza de que aquele é o meu lugar e que ninguém o merecia mais que eu. O que passa é a certeza que temos o universo a conspirar a nosso favor. Porque fizemos por isso e só porque sim, só porque somos nós. O dia está quase a acabar e pergunto-me: no fim deste dia, o que vai ser realmente importante? Quando me deitar na cama, quando fechar os olhos, quando estiver pronta para sonhar, sei que vou ver o mesmo que vi no fim do dia de ontem. Porque, no fim do dia, o nosso coração não é grande, para que caiba toda a gente. Porque, no fim do dia, o nosso coração encolhe e fica do tamanho certo. Do tamanho certo para que só caiba o que é realmente importante.
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