terça-feira, 9 de dezembro de 2008

You don't know what you mean to me

Tenho que te ver. Não preciso de te ver para saber que te quero ver. Quero que me faças feliz. A tua presença faz-me feliz e sei que não quero deixar de ser feliz, preciso de te ver para ver o teu sorriso feliz por precisares de me ver. Não preciso do teu mundo. Não preciso do peso do teu mundo para saber que não quero que deixes o meu mundo, não preciso de te ver para saber que enches o meu mundo. Preciso de te ver. Não preciso de te ver para saber que eu estava errada e que isto não podia ser mais certo, não preciso de te ver para sentir a leveza dos sentimentos. Quero os nossos pequenos momentos. Não preciso dos nossos momentos para saber como são grandes, completos e inteiros, preciso de te ver e ver que não me vais deixar a vivê-los sozinha. Preciso que me digas que queres ficar. Não preciso que me digas que ficas para saber que estou a aprender a acreditar e que fico também, preciso de te ver ficar. Preciso das tuas certezas. Preciso das tuas certezas para saber que não tenho dúvidas, não preciso de te ver para saber que não tenho dúvidas. Preciso de te ver. Preciso de te ver porque te quero ver e porque não quero deixar de te ver. Não preciso de ti, mas preciso que precises de mim para ser mais fácil aceitar que preciso de ti.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Tem tudo a ver com andar para a frente, mesmo que não pareça

Não, não preciso de te ver. Não preciso de te ver para saber que não te quero ver. Não preciso que me faças feliz. Não preciso que a tua presença me faça feliz para saber que não quero deixar de ser feliz. Não preciso do teu mundo. Não preciso do peso do teu mundo para saber que não quero que deixes o meu mundo. Não preciso de te ver. Não preciso de te ver para saber que nós estamos certos e que eu estou errada. Não preciso dos nossos pequenos momentos. Não preciso dos nossos momentos para saber como eram grandes, completos e inteiros. Não preciso que me digas que preferes ficar. Não preciso que me digas que ficas para saber que quero acreditar, que não acredito e que se me pedisses também eu ficava. Não preciso das tuas certezas. Não preciso das tuas certezas para saber que não tenho dúvidas. Não preciso de te ver. Não preciso de te ver para saber que te quero ver e que não quero deixar de te ver. (Não) preciso de ti.

domingo, 23 de novembro de 2008

The world it's a better place when it's upside down

O resto já deixou de interessar. De repente um sem número de coisas começaram a fazer sentido e um número infinito de outras deixaram de valer a pena. Vale a pena olhar bem e ver melhor, largar as certezas que tenho e deixar-me levar por aquilo que, de momento me faz sentido sentir. Gosto que me apeteça escrever nas mãos para não me esquecer e não me posso esquecer de te agarrar na mão para te mostrar que me apetece estar aqui. Alarguei o meu mundo sem querer e encontrei alegria sem a procurar (e podia ser de outra maneira?) mas não consigo deixar de pensar no cuidado que me ensinei a ter depois de ter acreditado nas tuas mentiras. O jogo é o mesmo, mas a minha sorte mudou quando mudei de mão. De qualquer maneira a minha carta é a única que ninguém pode ver. Estou no meio de um jogo que talvez possa ganhar mas não posso deixar que se saiba. Mais vale deixar tudo como está, mais vale fingir que não te vi e que não nos vi já a nós. Mais vale não me mexer muito para não perturbar a falsa calma em que me obrigo a estar. Não sei se é a minha vez. Não é a minha vez de te ensinar a ser feliz, não é a minha vez de te mostrar como fazê-lo feliz e não é a minha vez de te mostrar como posso ser feliz. Não posso pensar que sou capaz de equilibrar o universo com as minhas mãos. Mas sei que posso escolher o dia de hoje para não pensar mais no que passou, para passar as músicas que quero e para querer ter a minha cama só para mim. Sei que posso escolher o dia de hoje para não parar de pensar em ti, mesmo que a razão me diga para não o fazer e mesmo que o coração me diga que não quer sofrer. Kimi no koto ga suki. Acredita que custou, mas finalmente passou.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

You make it easier when life gets hard

Acho que ninguém fica indiferente a injustiças. E ainda que haja quem se revolte só na sua cabeça, eu cometi o erro de interagir com o mundo. Se bem que o processo de avaliação de erros é, na minha opinião, um bocado aleatório e talvez um bocado injusto. O que aprendi foi que temos sempre que nos manter à margem de tudo. Tentei equilibrar alguma justiça cósmica sem ter esse direito, mesmo que todas as dores que senti, que ninguém viu e que não pesaram a ninguém além de mim me dissessem que podia fazer o que me apetecesse, porque o mundo é mesmo assim, é injusto. E se é injusto para mim é normal que seja para outros, mesmo que de toda essa injustiça eu consiga tirar um pedacinho de alívio para as minhas feridazinhas que ninguém conhece. Estou um bocado farta de calmas que não existem, de tempestades a mais e de ninguém se importar com nada a sério. Farta de aparências. Farta de já não sentir coisas a sério. Parece tudo de plástico e parece que tudo pode acabar a qualquer momento. Haja ou não motivos para isso. As únicas coisas que são para sempre são aquelas que morrem connosco e por isso não vale a pena tentarmos decidir isso nós. Mais vale acharmos que nada é eterno e lutarmos por tudo que nos faz bem, que nos faz sentir bem ou que simplesmente nos faz sentir. E mesmo quando lutamos não quer dizer que consigamos manter o que queremos ao pé de nós. Por isso mais vale fazermos as coisas de maneira a que, no fim, possamos ter o conforto da consciência tranquila. No princípio da dor isso não serve para nada, mas com o passar do tempo, quando os sentimentos são apenas memórias e as memórias são apenas isso, é só o que nos resta, e antes isso do que chegarmos ao fim sem nada. O processo de decisão do que fica para sempre é um bocado aleatório e sem dúvida injusto.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Nobody knows it, but you've got a secret smile and you use it only for me

Nada como a morte para nos dar um bocadinho de perspectiva. Nada como termos que procurar a roupa mais escura. Nada como não saber o que dizer, o que sentir, o que fazer. Nada como a morte para nos fazer ver as coisas de outra maneira. Para nos fazer ver que se não acreditamos até agora não é agora que vamos passar a acreditar e a verdade é que parece cada vez mais absurdo. As pessoas morrem e não vão para lado nenhum. Morrem e pronto. A sua essência (recuso-me a chamar-lhe alma) desaparece para sempre e o seu corpo vai desaparecendo. Para sempre. Nada como a morte para nos fazer perguntar o que é que é realmente importante. Não que precise dela para saber o que é realmente importante, o que me falta realmente e o que simplesmente me faz falta. Nada como a morte para sentirmos uma perda real, uma perda a sério, uma perda sem ganho para ninguém. Dá-nos um bocadinho de perspectiva.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Be careful with what you wish for, because you just might get it all

Acho que não interessa muito quem nos vai ler. Bem, claro que interessa. Mas às vezes temos que mudar as coisas que nos interessam. Mesmo que em certas alturas nos pareça que não há nada mais importante e que foi tão especial que a sua importância fugiu ao nosso controlo. As pessoas, os sentimentos, as coisas que se viveu são importantes e especiais apenas se quisermos que o sejam e enquanto assim quisermos que seja. Somos nós que fazemos o nosso destino. Somos nós que escolhemos o que queremos ser. Se deixarmos de acreditar nisso passamos a ser apenas mais um que se deixa levar pela corrente e que culpa quem e o que pode por tudo que não é. E não há nada mais triste que isso. Não há nada mais triste que dizer que as coisas são assim porque não há nada que se pudesse fazer. Há sempre pelo que lutar. Lutamos uma vez e perdemos. Lutamos duas vezes e perdemos. Lutamos três vezes e perdemos. Mas havemos de ganhar eventualmente. E vai-nos saber tão bem. Lutar faz-nos sentir vivos apenas porque lutar é viver e nada mais que isso. Por isso lutemos. Lutemos pela felicidade que merecemos e não esperemos pela felicidade que nos está destinada. Vamos pegar na caneta do destino e não vamos deixar que ele escreva direito por linhas tortas. Quem é ele para saber melhor do que nós o que queremos e o que nos vai fazer sentir completos? Vamos deixar que ele se preocupe com os que não têm força para lutar pelo que acham que lhes pertence. Se temos que aceitar alguma coisa sem lutar, que sejam coisas que não podemos mesmo mudar. De resto, vamos dar umas chapadas no destino e mostrar-lhe que ninguém gosta de espertinhos que têm a mania que sabem tudo. O que é que é importante? Importante são aquelas coisas que nos fazem dar gargalhadas, rir, sorrir ou acender por dentro e deixar que o brilho nos chegue aos olhos. Coisas que nos mantenham no caminho. No nosso caminho. Se uma relação exige muito de nós é porque estamos a forçar alguma coisa e isso nunca é bom, lutar não é isso. Lutar é trabalho árduo e dedicação. E a relação é uma festinha na cabeça e um doce de recompensa ao fim do dia. Passamos a vida a procura de uma relação e deixamos passar aquelas que são realmente especiais. Temos que começar a abrir os olhos para nos permitirmos alguma felicidade. Daquela que interessa. Da única que vale a pena. E nunca nos podemos esquecer, uma pessoa só vale a pena se se disponibilizou sempre a lutar as nossas lutas connosco.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Dieléctricos de ternura

Um dieléctrico é uma substância que possui alta resistência ao fluxo da corrente eléctrica. Este, para desempenhar correctamente a sua função, é escolhido através de certos requisitos, tais como:
  • Elevada resistência eléctrica, para garantir o isolamento entre a peça e o eléctrodo;
  • Elevado poder refrigerante, pois este deve arrefecer a peça e o eléctrodo, visto que o aquecimento excessivo pode originar fissuração;
  • Elevado calor latente, pois deve ser resistente às temperaturas elevadas e à oxidação, evitando a degradação;
  • Não corrosivo, para não corroer os componentes constituintes da máquina;
  • Filtrabilidade, para manter as partículas em suspensão, facilitando a filtragem posterior.
Agora vamos brincar um bocadinho com as palavras...

Uma "pessoa dieléctrica" é alguém que possui alta resistência a sentimentos. Essa pessoa, para desempenhar correctamente essa função, tem que se impor certas regras, tais como:
  • Elevada resistência às emoções, para garantir o isolamento entre si e outra pessoa;
  • Elevado poder refrigerante, pois deve arrefecer o ambiente entre si e outra pessoa, visto que o aquecimento excessivo pode provocar fissuras nas defesas emocionais;
  • Elevado calor latente, pois deve ser resistente às situações com temperaturas elevadas e pressão, evitando cair em tentação;
  • Não corrosivo, para não corroer os seus próprios sentimentos (nunca sabe quando pode precisar deles);
  • Filtrabilidade, para manter os interessados em suspensão, facilitando uma escolha posterior.
TPC - O que acontece a um dieléctrico quando entra em disrupção?

sábado, 27 de setembro de 2008

Forcat

a
Quando uma pessoa está à espera de outra é sempre difícil estar descontraída. Por princípio temos a sensação que estamos a ser observados e se sabemos que alguém vai chegar e procurar por nós, não podemos deixar de ter a certeza que vamos ser observados mais cedo ou mais tarde. A Patrícia estava sentada ao balcão com um copo de whisky à frente. Ainda não lhe tinha tocado. Estava a pensar que devia ter pedido uma 7up quando a pessoa que esperava entrou no bar e se pôs a observá-la. Como que sentindo isso mesmo levantou os olhos e reconheceu a cara que já não via há uns anos e não conseguiu evitar sorrir. Porque apesar de tudo estava feliz com este encontro. Ansiosa, mas feliz. Quando a pessoa se aproximou dela, a primeira coisa que se lembrou de dizer não foi olá. Foi "desculpa".


Patrícia

A Joana sempre teve este efeito em mim. Já não a via há seis anos. E mesmo assim sinto neste momento exactamente o que sentia quando ainda éramos umas miúdas. Sinto-me pequenina, sem sal e vá, uma bestinha. Não é por ela ser mais alta que eu, que é. Não é por ela ser mais bonita que eu, que é. Nem é por ela ser um doce, que é. É porque houve uma altura da minha vida que sentia que se andasse muito juntinha a ela, se nunca a largasse, quase que me sentia a ficar melhor pessoa. Quase que me sentia como ela. Quase perfeita. Foi por isso que agora que está aqui e que me lembrei de tudo que lhe fiz, ou melhor, do que não fiz, a única palavra que consegui que me saísse da boca foi "desculpa". Desculpa minha querida, por não ter sido o tudo que merecias quando te encontraste com os teus nadas, desculpa minha linda por ter fugido de ti quando não precisavas de mim, e de não voltar quando estavas a morrer por dentro. E desculpa por permitir que ainda assim gostes de mim. Mas só disse "desculpa".


Joana

Meus Deus, como é bom ver a Patrícia. Ali está ela, com aquela aura de nervoso miudinho que ela sempre teve. Lembro-me bem da altura em que éramos inseparáveis e imparáveis. Muitas festas de faculdade, muitos corações partidos, nossos, deles... Mais nossos, que somos umas românticas. Não consigo evitar sorrir, porque estou muito feliz de poder vê-la depois de tanto tempo. Já me viu e também está a sorrir. Sim, gostamos muito uma da outra. Houve uma altura em que ela se afastou um bocado para perseguir um sonho e que me senti tão sozinha, mas só queria vê-la feliz e ela era feliz. Mesmo que o final não o tenha sido. Estou quase a chegar ao pé dela e de repente vejo qualquer coisa nos olhos dela e quando dou por mim estou a ouvir uma coisa que não entendo. Parece-me "desculpa".



-Anda, vem comigo.
-Onde?
-Vamos sentar-nos naquela mesa ali ao fundo, ao pé da máquina dos cigarros.
-Tu sabes que eu não fumo.
-Não te preocupes, há ali um ventilador por cima, nem vais sentir o cheiro dos cigarros. O quê que queres beber?
-Pode ser uma imperial.
-Eu vou pedir ao balcão. Agora senta-te aí quietinho e olha para aquelas duas brasas abraçadas ao pé do balcão.
-O quê que tem?
-Man, o quê que te parece que são uma à outra?
-Sei lá. Duas amigas que gostam muito uma da outra, mas por qualquer razão já não se viam há algum tempo?
-Epá, és tão cromo. Eu já volto e já te explico umas coisas. Amigas! És mesmo tapado.
-Olha, desculpa, 'tá?

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Já sei de cor todas as canções de amor


I'm so tired of being here suppressed by all my childish fears.
What do I do when lightning strikes me?
Guess I've mistaken you for somebody else.
It's not the same, no it's never the same.
But somehow I'm still alive inside, I don't know how, but I don't even care.
Só sei que fica tarde e eu tenho de ir.
This time, this place, misused, mistakes, too long, too late.
All of the memories, so close to me, just fade away.
I'll never know what the future brings.
I don't worry because everything's going to be alright.
Leave all this to yesterday.
I'm sure that that makes sense.
Sem ter defesas que me façam falhar.



Mas é bom ouvir e cantar, seja a solo, seja em duetos rodoviários, seja em modo lead singer, "Sei de cor" e sentir... rigorosamente nada.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Ponto de vista de uma vida de vidro

Eu não tive culpa. Se bem que se diga que nestas alturas que ninguém tem culpa, eu sei que não tive de certeza. Nem posso dizer que o meu único pecado foi deixar-me estar. Não tinha outra opção. Fui feito verde, cilíndrico, inanimado. Mesmo este pedaço da minha história que vos conto, bem, não sou mesmo eu que vos conto. É só alguém que precisa de criar as perspectivas de um ponto de vista. Mas como estava a dizer, não tive culpa nenhuma. Estava em cima da mesa. Há uns dois, três dias, talvez. O que posso dizer, sou um pedaço de vidro preguiçoso. Mas também posso dizer, e isto sim é mais verdade, é que nunca me foi dado a escolher. E mesmo que pudesse escolher, não sei se sairia dali. Nunca podia prever o que estava para acontecer. E além disso gostava da companhia. Se bem que tenha saído do cartão para as mão dela, sei que os seus dedos eram os mais delicados. Mãos pequenas mas firmes. Mãos de menina com força de mulher. Sei que a boca dela era a mais doce. Eu sei que doce era o que tinha dentro de mim, e que nunca poderia saber ao que saberia a boca dela se não tivesse zonzo por causa de tanto açucar. Mas não interessa. Sentia a antecipação nas suas mãos de princesa e sentia todo o prazer que lhe entrava pela boca. Mas num dia algo de estranho aconteceu. As suas mãos começaram a pegar-me com menos firmeza. Sim, foi assim que tudo começou. Tudo começou com uma fraqueza que concerteza lhe atacava o coração, mas que eu só podia sentir nos seus dedos e imaginar o que seria. Tive a certeza que algo de muito errado se passava quando senti gotas de sal no meu interior antes tão doce. E senti então uma parte dela que não sabia que existia. Senti a dureza dos seus dentes, senti que me mordia de desespero, porque as lágrimas que vertia para dentro de mim estavam a agir contra a vontade dela. Nessa altura ainda não imaginava que sofria tanto e que eu ía também fazer parte desse sofrimento. De repente senti um aperto e soube que a força com que me voltava a segurar nada tinha a ver com segurança ou independência. Era uma mistura amarga do sal dos seus olhos e do aperto que, imagino eu, estivesse a sentir no seu coração. De repente deixei de a sentir, deixei de sentir qualquer tipo de sustento e senti-me a voar. Uma sensação de liberdade por meros segundos, para depois me encontrar com algo duro e desfazer-me em mil bocados. E foi só quando me encontrei no chão por todo o lado é que consegui compreender completamente como se sentia o coração dela.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

In Her Shoes


"I carry your heart with me (i carry it in my heart)
I am never without it (anywhere i go you go, my dear;
and
whatever is done by only me is your doing, my darling)
I fear no fate (for you are my fate, my sweet)

I want no world (for beautiful you are my world, my true)

And it's you are whatever a moon has always meant
and
whatever a sun will always sing is you.

Here is the deepest secret nobody knows

(here is the root of the root and the bud of the bud
and
the sky of the sky of a tree called life;
which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
And this is the wonder that's keeping the stars apart

I carry your heart (i carry it in my heart)"


EE Cummings

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Re-Tratamento

" Marshall: Oh não, não tenho os meus votos.

Lily: Também não tenho os meus.

Ted: Não precisam dos votos. Apenas digam porquê que se amam.

Marshal: Lily, tenho milhões de razões para te amar. Fazes-me rir e tratas de mim quando estou doente. És amorosa, atenciosa e até deste o meu nome a uns ovos. Ela põe uns condimentos italianos nos ovos mexidos antes de os cozinhar. Chamam-se "Ovos Marshall" e são brutais. Mas a principal razão para te amar é que és a minha melhor amiga, Lily. És a melhor amiga que alguma vez tive.

Lily: É a minha vez. Marshall, eu amo-te porque és engraçado e fazes-me sentir amada e fazes-me sentir segura e quando fizemos um ano deste-me uma camisola que diz "Lily and Marshall. Rockin' It Since '96". Acho que gostava de a ter vestida agora, porque cheira a ti. Mas a principal razão para te amar, Marshall Ericksen, é que me fazes feliz. Fazes-me feliz sempre."

Acho que andamos tão rápido na estrada, olhando só para a frente, que às vezes perdemos a percepção de certas coisas. Perdemos alguns valores e perdemos a noção do que é realmente importante. Andamos numa corrida doente para tentarmos ser bonitos quando isso não interessa nada, só interessa quem nós somos. Um banho por dia, uma escova no cabelo, a roupa que mais nos agrada, um sorriso na cara e uma pitada de nós mesmos é mais que suficiente e para quem não chegar, paciência. Passamos o dia a esforçarmo-nos para ser uma coisa que, no fundo, não tem metade do interesse do que aquilo que realmente somos.

Finalmente aprendi que a pessoa certa e que o amor da nossa vida nem sequer são a mesma coisa. Podem ser a mesma pessoa, mas a verdade é que raramente isso acontece. O amor da nossa vida é a pessoa por quem mais choramos e a pessoa que nos fez mais feliz e a pessoa que conseguia fazer-nos atingir esses dois picos no mesmo minuto. A pessoa certa é aquela que melhor nos sabe amar, cuidar de nós, aquela que nos dá segurança sem ser preciso falar. O amor da nossa vida é um carrossel de emoções enquanto que a pessoa certa é a calma antes da tempestade, depois da tempestade e é a mão que agarramos durante a tempestade. O amor da nossa vida ser a pessoa certa para nós é um jackpot cósmico. Mas possível. De qualquer maneira só existe uma maneira de sabermos quem é o amor da nossa vida e quem é a pessoa certa para nós. É preciso morrer. Nessa altura, olhamos para dentro de nós e vemos todas as cicatrizes que o amor da nossa vida nos deixou. Olhamos para fora e lá está ela. A pessoa certa.

Aquela que não olhou para os nossos defeitos e agradeceu-nos por não termos olhado para os dela. Não aquela que achava que não tínhamos defeitos e que nós achávamos perfeita.

Aquela que sempre nos soube dizer as coisas certas na altura certa. O bom e o mau. Não aquela a quem nunca foi preciso dizer nada, que sempre adivnhou os nossos desejos mais permentes.

Aquela que nos disse que tínhamos graça por piadinhas pequenas, aquela que nos disse que estávamos lindos num dia mau e que nos disse que éramos a pessoa mais bonita deste mundo num dia em que realmente nos esforçamos por isso. Não aquela que se ria às gragalhadas connosco por tudo e por nada, não aquela que todos os dias se ofuscava com o nosso brilho. O bom e o mau.

Aquela com quem conseguiamos dormir uma noite inteira abraçados sem acordarmos com o pescoço dorido. Não aquela com quem desejavamos dormir todas as noites e que com quem todas as noites deviam ser infinitas.

Aquela que nunca nos fez sofrer, ou se fez, estava lá para tratar das nossas feridas. Não aquela que nos fez sofrer que fizemos sofrer, porque o amor, a paixão e a pressão eram tão grandes que até doía. Tudo doía. O bom e mau.

Aquela que nunca foi embora. Não aquela que foi, veio, foi e veio, e entre essas viagens nunca sabiamos se ía voltar ou se ía voltar a ir embora.

O amor da nossa vida e a pessoa certa podem parecer, à primeira vista, muito parecidos, mas a diferença é a coisa mais importante para o nosso coração. A pessoa certa faz-nos felizes. Sempre.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Sílabas métricas? Não, não 'tou a ver...

Ir para a cama ou ficar aqui no sofá, eis a questão.

Qual me faz melhor, com qual me contento
Qual mellhor me acolhe, com qual me encanto
A cama que me seduz e promete tanto
O sofá com a segurança em pensamento

Quero fechar os olhos e viver cada momento
Não quero descobrir na cama o meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Quero o sofá e seu doce contentamento

E assim, quando mais tarde o procure
Quem sabe na cama, angústia de quem vive
Quem sabe no sofá, princípio de quem não ama

Eu possa dizer do descanso que tive:
Que foi doce e calmo o sonho que me chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Qual Shakespeare, qual Camões,

Sonetos às cinco da manhã é que é

Vou mazé pra cama que se faz tarde

Ai pois é, ai poizé.


Estava-me o post a correr tão bem...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

How cute am I?

Conhecer alguém não é fácil. Nos dois sentidos. O mundo está cheio de gente que não conhecemos, mas não basta sair da cama para conhecermos alguém. E não é fácil conhecer as pessoas que temos ao nosso lado. Eu sei que "eu conheço-te" é uma frase que usamos muito. Eu sei que uso muito. Eu tenho o péssimo hábito de conhecer muito bem as pessoas que tenho à minha volta. Podia pôr-me aqui a dizer que é porque me interesso muito pelas pessoas, mas a verdade é que o faço para minha própria protecção. Se conhecer o que me rodeia o melhor que puder, menores são as possibilidades de ser apanhada de surpresa. E eu odeio surpresas. Gosto de saber com o que posso contar. Gosto de saber que terreno estou a pisar. Mas a verdade é que, quando se trata de pessoas, não existe a noção de coisas certas nem terrenos seguros. Podemos conhecer bem as pessoas, mas podemos ter a certeza que elas farão sempre qualquer coisa que vá contra elas próprias. Por medo, por orgulho, por confusão... Eu sei que já fiz coisas que não são eu. Tantas vezes. Mas não é por isso que desisto de saber as pessoas de côr. Se bem que se algumas vezes me pode abalar a vida por me deparar com situações que não esperava, adoro as vezes em que o universo faz sentido e em que quando digo "acredita, eu conheço-te" vejo um brilho no olhar, mesmo que o corpo esteja a dizer que não. E o mesmo vai para pessoas acabadas de conhecer. Quando duas pessoas se estão a começar a conhecer muitas vezes preocupam-se com a coisa que menos importância tem. Em causarem boa impressão. Não falo em pôr mais perfume, a melhor camisola, ou tentar combinar os sapatos com os óculos escuros. Falo em conversas que não são nossas, atitudes que não têm nada a ver connosco, piadas que nem nós próprios achamos graça. Desde que outra pessoa ache graça. E mesmo que nós não achemos graça nenhuma à outra pessoa, temos sempre que fazer aquela forcinha para sermos o máximo. Nada pode ser mais errado. Não há nada mas interessante do que nós próprios. O simples nós. Os silêncios contragedores acontecem porque estamos à procura de uma coisa super cool para dizer quando nem sequer nos lembramos que a coisa mais estúpida que nos sai da boca pode fazer a outra pessoa pensar. E quem sabe, até pode estar a pensar em como somos bué (pareço uma pita...). Ou em como somos anormais, mas não interessa, porque se essa pessoa não se interessar pelo interessante nós, então essa pessoa que se vá lixar, porque convenhamos, nem sequer interessa nada. O que interessa mesmo é que olhem para nós, que gostem de nós e que, eventualmente nos amem. O resto é paisagem. Mesmo que às vezes seja uma bela paisagem... Anyway, isto tudo para dizer que não precisamos de espetar um garfo no rabo e embelezar as nossas histórias de vida. Cada um é o que é e cada um vale pelo que é. Somos todos porcas e parafusos e se a rosca não é igual à deste, há-de ser igual à do próximo e toda a gente sabe que os parafusos e as porcas vêm em caixinhas de muitos, não há só uma porca para um parafuso. Tira-se uma porca e um parafuso da caixa. Se enroscarem e fizerem o trabalho que têm a fazer, óptimo. Senão, as caixas estão mesmo ali à mão.

Senhor leitor, sabia que:

- não consigo levantar ou baixar o som do rádio sem o nível do volume ser um múltiplo de cinco?

- sempre que ando num chão que tenha azulejos vou dizendo "co-ca-co-la" conforme ponho primeiro um pé, depois o outro and so on?

- odeio usar coisas douradas e prateadas ao mesmo tempo?

- odeio usar coisas pretas e castanhas ao mesmo tempo?

- gosto do poder de desviar os carros das faixas de rodagem só por me encostar muito a eles, qual Moisés a fazer um risco ao meio no mar Vermelho?

- acho que os sapatos e as mãos dizem muito sobre uma pessoa?

- combato dor com dor?

- tenho um prazer especial por me sabotar?

- escondo coisas à vista?

- gosto de, pelo menos, mais dez centímetros do que eu nos homens?

- acredito em sinais?

- sou muito, muito, mas mesmo muito meiga? Um doce, mesmo?

- gosto de ser tratado como uma princesa?

- gosto que reconheçam em mim qualidades de uma guerreira?

- ainda falta dizer muito sobre mim?

- não há uma única pessoa que consiga ler esta lista e achar interessantes todos os pontos?

- o passado é história, o futuro é um mistério e o presente é uma dávida? E é por isso que se chama presente?

- que a frase anterior foi tirada de um filme em que um panda diz que "there's no price for awessomeness or attractiveness"?

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Não sinto o lado esquerdo

Hoje custa. Amanhã custa menos um bocadinho. Depois de amanhã custa menos um bocado. E cada vez vai custar menos. Também não existe inflação no amor. E chega o dia em que os gestos já não querem dizer nada e que as coisas são só coisas. Se existe solidão, é porque não há amor.

domingo, 27 de julho de 2008

How am I supposed to breathe with no air?

Já não sei fazer a cama. Já não sei pôr a almofada no meio. Acredito que não fomos feitos para viver sozinhos. Podemos gostar de momentos a sós e até podemos gostar desses momentos com frequência, mas ninguém foi feito para viver sozinho. Eu não fui feita para viver sozinha. Eu fui feita para encontrar a pessoa certa ou para passar a vida a procurá-la. Sou uma romântica. Acredito no amor. Amor é olhar para alguém a dormir e ver a pessoa mais bonita do mundo, mesmo despenteada, mesmo com a roupa mais velha, mesmo a ressonar. Amor é achar sempre graça à maneira como se usa uma expressão, mesmo depois de ouvi-la vezes sem conta, durante a vida toda. Amor é ter uma força no peito, um desejo ardente de dar a mão, só para sentir que a outra pessoa está mesmo ali, que não é só um sonho. Amor é querer partilhar o mais pequeno acontecimento do dia "hoje vi um cão dentro de uma bolsa de pôr à cintura, na cintura de um senhor gordinho que estava a passear pea praia", é ter uma vontade inexplicável de ligar logo a seguir porque o que se quer dizer não pode esperar, o amor não pode esperar. Amor é olhar para o resto do mundo, ver pessoas bonitas, ver pessoas interessantes e não sentir nada, os olhos vêem porque têm de ver, a cabeça reconhece a beleza porque a cabeça não pára, mas a barriga não sente o formigueiro, as pernas não perdem a força, o coração não bate de antecipação. Naturalmente. Amor é perdoar tudo. Chora-se, bate-se com os pés, fica-se triste, fica-se magoado, mas perdoa-se tudo. E o amor fica intacto, já nem se lembra do que sofreu. Amor é estar sozinho mas nunca sentir-se sozinho, é saber que há outra pessoa que está a pensar no mesmo, a sentir o mesmo, é saber que essa pessoa não vai a lado nenhum, é o conforto de saber que a procura terminou. No amor não existe solidão. Eu sei que falo muito em amor. Paciência. Acredito mesmo que a nossa missão nesta vida é encontrar amor. Só o amor dá felicidade absoluta, daquela que nos cega, daquela tão forte que até dói, daquela que nos faz sentir completos. Qualquer amor. Amor pela família que nos faz lembrar do amor pela vida. Amor pelos amigos, que não se cansam de nos lembrar que temos que nos lembrar do amor por nós próprios. Gosto de acreditar que o amor da minha vida anda por aí, só à espera que eu seja o amor da vida dele. Que se lixe o destino, no que eu acredito mesmo é no amor.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Quero uma resposta

Fazem-me falta pequenas alegrias. Um sim à primeira em vez de um não depois de muito insistir. Só a sensação de sermos especiais, de importarmos alguma coisa. Só a sensação de alegria pela alegria de nos fazerem companhia. Não os amigos. Sabemos que estão lá sempre mas nem sempre é isso que queremos. Queremos abrir a porta e ver que somos importantes fora do nosso mundo. Fazem-me falta pequenos alívios. Chegar a casa e não sentir aquela pontada. Sentir que tudo se vai resolver, que ainda tenho quem me diga que tudo se sai resolver. Não os amigos nem a família. Sabemos que nos resolvem todos os problemas, mas às vezes queremos poder mostrar-lhes o quanto crescemos. Fazem-me falta pequenos pormenores. Uns brincos. Faz-me falta a paz no meio da guerra. Faz-me falta o conforto de saber onde estão as coisas, como são e que não vão a lado nenhum. Faz-me falta algum brilho. Para onde foi? Não me lembro bem de o ter perdido. Faz-me tanta falta o meu brilho... Faz-me falta a simplicidade, não a propriedade. Faz-me falta não precisar de acertar, faz-me falta não ser certa, faz-me falta ser a certa. Fazem-me falta todas as coisas que reclamei para mim, tudo que era meu por direito, tudo por que lutei. Uma vez, outra vez, outra vez... E lutarei mais vezes, se fosse preciso provar alguma coisa. Não tenho nada a provar a ninguém. Não tenho que provar que sei viver, que estou a viver bem. Não tenho que provar que estou bem, que já passou porque tudo passa. Faz-me falta ter vontade que passe. Depressa. Faz-me falta ainda ter para onde olhar e saber que o próximo caminho é melhor. Faz-me falta a vontade de procurar um caminho, mas sinto que já cheguei onde queria. Se bem que ninguém acredite. O que isso interessa? Não tenho nada a provar a ninguém. Faço-me falta.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Patrocinada por uma bebida qualquer

Acredito que ainda há pessoas sérias. Acredito que ainda há pessoas que não falam sem pensar e acredito que se dizem certas coisas é porque acreditam nelas. Acredito que ainda se acredite no amor e que ainda há quem acredite que há uma pessoa certa para toda a gente e acredito que essas pessoas o que mais querem que tudo no mundo é encontrar a sua pessoa certa. Sendo assim, acredito que quando uma pessoa me disser que eu sou a mulher da sua vida, irá acreditar no que está a dizer. Acredito que quando essa pessoa falar comigo de filhos, casa, casamento, uma vida juntos; estará a falar a sério, não estará a falar da boca para fora. Por isso, nunca vai ser possível tudo isso desaparecer de um dia para o outro. Uma vida inteira juntos, a passada, a presente e a futura, como nós vamos ter, não irá desaparecer de um dia para o outro. Eu vou acreditar que essa pessoa acredita que sou a mulher da sua vida desde a primeira vez que me vir. Mas há algumas coisas que espero desta pessoa, esta pessoa que vou achar ser a certa para mim, que acho que me merece, que acho que me dará valor. Quando duas pessoas estão numa relação têm que aprender a fazer tudo juntas. As duas juntas arranjam os problemas e as duas juntas arranjam as soluções. As culpas deixam de ser só de uma pessoa porque já não se vive sozinho. Para o bem e para o mal. Essa pessoa não se poderá isolar quando as coisas correrem mal. Porque não é justo. Nem para mim, nem para ti. A culpa nunca vai ser só minha, mas mesmo que essa pessoa acredite que sim, vai dar-me oportunidade de me defender. No mínimo, vai dar-me a oportunidade de conversar. Porque essa pessoa não pode fugir a isso, porque passa a ser uma obrigação, a partir do momento em que decidirmos que vamos levar a relação a sério. Essa pessoa não vai poder deixar de atender o telefone, não vai poder deixar de responder às mensagens, não vai poder não ter paciência para falar. Não vai poder ir embora sem aviso e fechar-se no seu mundo. Não vai poder parar de pensar e de se preocupar comigo. Essa pessoa vai ter que se lembrar que me deixou sozinha com o sonho da Margarida, com o sonho do Rodrigo, com o sonho do vestido, com o sonho da quinta em Sintra, com o sonho de 125 m2 de sonhos. Com os nossos sonhos. Com sonhos que em tempos sonhámos juntos. Não vai poder simplesmente deixar de os sonhar e deixar-me sonhá-los sozinha. Por muito que lhe custe, por muito que lhe doa, por muito que lhe apeteça desaparecer, não o poderá fazer, vai ter que ficar. Mas vai poder sentar-se, desabafar, dizer o que lhe custa e o que o magoa e dizer-me de que precisa. Até pode dizer-me que naquele momento não precisa de mim. E talvez nós os dois consigamos arranjar uma solução, que não nos custe tanto, que não nos magoe tanto. Aos dois. Se já não pudermos acreditar nas pessoas, o que é que nos sobra?

sábado, 23 de fevereiro de 2008

You're so vain, you really think this song is about you, don't you?

Fiquei muito desiludida com o principezinho. O principezinho não é um livro inofensivo, no principezinho há mortes, sabiam? Não sei porque é que me deixei enganar com um livro para crianças. É importante sabermos que o amor da rosa existia mesmo que ela não o soubesse demonstrar, foi importante para o principezinho descobrir isso. Foi importante para o principezinho descobrir que a rosa dele era única, que a visão de um jardim cheio de rosas não o fez sentir melhor porque nenhuma daquelas era a rosa dele. Nenhuma delas tinha sido regada e cuidada por ele e era isso que fazia da rosa dele uma rosa tão importante. Foi a raposa que ensinou isso ao principezinho. Que todos os homens são iguais, todas as raposas e todas as rosas são iguais, mas se há uma raposa que cativa um principezinho e um principezinho que cativa uma raposa, então o menino deixa de ser só um menino e a raposa deixa de ser só uma raposa, passam a ser únicos um para o outro. E também lhe ensinou que o mais importante vê-se com o coração. E a serpente não o enviou para casa. A serpente matou-o. Ele próprio disse que as serpentes eram más, que mordiam sem mais nem menos, só porque lhes apetecia. Mesmo que só tivessem veneno para morder uma vez. A serpente matou-o. O principezinho é uma história tão triste. Do princípio ao fim. Um menino que foge de uma flor porque pensa que a flor exige demais e não dá nada em troca, para depois descobrir que a flor lhe perfumava o planeta e que, como a flor o tinha cativado, a flor era única para ele. E a serpente matou-o. Ele confiou na serpente.