Se me perguntassem do que é que tenho mais medo, o mais provável era responder que era de répteis. Mas não é verdade. É verdade que morro de medo de cobras, lagartos e todos os seus primos chegados ou distantes, mas esse medo não se compara ao medo que tenho de um novo dia. Nada me assusta mais do que saber que assim que fechar os olhos e adormecer, estou a abrir a porta para outro dia. Um dia cheio de incertezas. Um dia cheio de coisas novas. Este dia que acabou é um dia seguro, porque já passou. Já não tem surpresas desagradáveis à minha espera. Já sobrevivi a ele. Mas quem me diz que vou sobreviver a amanhã? Amanhã tenho que tomar a decisão de me levantar da cama. Amanhã tenho que decidir o que vou vestir. Amanhã tenho que decidir se vou estudar, se vou trabalhar, se vou conversar para a esplanada, se quero companhia para o almoço, se quero companhia para o jantar, se quero ser simpática, se quero dizer umas piadas... Amanhã tenho que decidir como vou existir. Mas não é só isso. Amanhã vou ter que decidir se me levanto quando for derrubada. E não me apetece nada tomar essa decisão. Apetece-me ficar aqui deitadinha, sozinha, isolada. Sem ninguém para impressionar, sem nada para provar a ninguém. Mas não posso. Tenho que me levantar, encher o peito e obrigar o universo a conspirar a meu favor. Mas, se calhar, só amanhã, vou-me deixar vencer. Só desta vez. Só até ter forças outra vez. Se calhar, amanhã vou-me deixar ficar. Mas só desta vez.
domingo, 26 de novembro de 2006
Os amanhãs andam cheios de pressa
Se me perguntassem do que é que tenho mais medo, o mais provável era responder que era de répteis. Mas não é verdade. É verdade que morro de medo de cobras, lagartos e todos os seus primos chegados ou distantes, mas esse medo não se compara ao medo que tenho de um novo dia. Nada me assusta mais do que saber que assim que fechar os olhos e adormecer, estou a abrir a porta para outro dia. Um dia cheio de incertezas. Um dia cheio de coisas novas. Este dia que acabou é um dia seguro, porque já passou. Já não tem surpresas desagradáveis à minha espera. Já sobrevivi a ele. Mas quem me diz que vou sobreviver a amanhã? Amanhã tenho que tomar a decisão de me levantar da cama. Amanhã tenho que decidir o que vou vestir. Amanhã tenho que decidir se vou estudar, se vou trabalhar, se vou conversar para a esplanada, se quero companhia para o almoço, se quero companhia para o jantar, se quero ser simpática, se quero dizer umas piadas... Amanhã tenho que decidir como vou existir. Mas não é só isso. Amanhã vou ter que decidir se me levanto quando for derrubada. E não me apetece nada tomar essa decisão. Apetece-me ficar aqui deitadinha, sozinha, isolada. Sem ninguém para impressionar, sem nada para provar a ninguém. Mas não posso. Tenho que me levantar, encher o peito e obrigar o universo a conspirar a meu favor. Mas, se calhar, só amanhã, vou-me deixar vencer. Só desta vez. Só até ter forças outra vez. Se calhar, amanhã vou-me deixar ficar. Mas só desta vez.
sábado, 25 de novembro de 2006
Dói muito dizer que não
Como é que podes continuar a ser o amor da minha vida se deixei de te amar? Sim, foi isso que senti. Senti todo o vazio que arranjaste para mim. E nesse vazio não te consigo amar. Interessa-te que já não te ame? Não me parece. Tu também não sentiste nada, pois não? Só a velha familiaridade. Só a certeza de já saber tudo de cor. Só a certeza de tudo que já foi e que de tudo que não pode voltar a ser. Já te disse que já não te amo? Mas ainda amo tudo que fomos um para o outro. Tudo que demos um ao outro. Tudo que ficou por dar. Ainda choro por nós. Ainda nos amo. Ainda és o amor da minha vida. E não podia ser de outra maneira. Não podia ser de outra maneira depois da forma que te amei. Eu sei que não notaste e sei que nunca vais chegar a perceber o amor que tinha por ti. E esse é o preço mais alto que vou pagar. Mas o mundo avança, a vida avança e nos também temos que avançar. Não nos é permitido voltar para trás, não nos é permitido parar. Agora só me resta já não te amar.
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Quando a esperança vai de férias...
O mundo é muito complicado para mim. As pessoas são muito complicadas para mim. O que faz uma pessoa mostrar que sim quando pensa que não e mostrar que não quando pensa que sim? Eu penso, penso e não consigo perceber. Não faz sentido nenhum. Não entendo como as pessoas podem fazer-se difíceis. Como? Quando quero uma coisa e essa coisa me é oferecida, eu não consigo dizer que não, não consigo fingir que me é indiferente, eu fico alegre. E porque não? Se era o que eu queria... Eu só tenho duas maneiras de ser. Quando quero, sou fácil. Quando não quero, sou impossível. Mas, aparentemente, devo ser só eu. Só eu é que devo ver o mundo de modo binário (piada de engenheiro, não foi possível evitar...), só eu é que devo ver o mundo a preto e branco. Porque quando falo nisto a outras pessoas dizem-me que as coisas não são assim tão simples, tão lineares. Eu sei que nunca vou chegar a uma conclusão sobre este assunto, sei que as pessoas vão ser sempre complicadas e difíceis, sei que o mundo vai ser sempre complicado e a cores (umas mais bonitas que outras). Mas apeteceu-me dizer qualquer coisa, não sei porquê. Por enquanto devia aprender a não medir as pessoas por mim.
quarta-feira, 15 de novembro de 2006
Uma é minha, outra é tua, outra é de quem apanhar ou coisas simplesmente sem sentido algum
Eu não tenho: juízo, rabo, um lamborghini, o curso de Engenharia Electrotécnica e de Computadores (ainda...), ninguém à minha espera em casa, tempo a perder, vontade de me prender, tempo para ir ao cinema, nenhum livro por ler em casa, bom feitio, vontade de desaparecer, tempo para toda a gente, amor próprio, personalidade jurídica, fé, comida em casa, vontade de me perder (outra vez), uma única cueca fio-dental, pressa de ter filhos, muita inveja, queda para ser um doce, queda para fazer doces, música favorita, vontade de ir dormir.
Eu tenho: sardas, um cabelo bonito (eu gosto!), poucos amigos, os melhores amigos, os melhores pais (primários e secundários), a melhor irmã, as melhores primas, dois neurónios completamente funcionais, estupidez com fartura, vontade de ir ao cinema, garra, mãos feias, vontade de me prender (e esta, hein?), muitos livros em casa, músicas da Britney Spears no portátil (as verdades são para ser ditas), músicas da Britney Spears no iPod (...), um feitio de merda, muitas saudades de tempos passados, os livros todos do Harry Potter, um pólo com dupla personalidade, muito, mas mesmo muito, sono.
Eu queria (para o Natal, quem sabe...): Acho-te graça. Também te acho graça. Sou capaz de até gostar um bocadinho de ti. Sim, acho que sim. Hoje não tenho tempo. Vou ter saudades tuas. Dá-me um beijinho. Não. Dois? Ok. Tens meia hora para tirar daí a mão. Coisas simples. Vidas simples. Existências felizes. Existências completas. Sabe bem tudo tão certo. O que me dirás se o tempo nos der o tempo a que temos direito? Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
Objectivo do post: provar à Ana Catarina que sei escrever lamborghini.
Eu tenho: sardas, um cabelo bonito (eu gosto!), poucos amigos, os melhores amigos, os melhores pais (primários e secundários), a melhor irmã, as melhores primas, dois neurónios completamente funcionais, estupidez com fartura, vontade de ir ao cinema, garra, mãos feias, vontade de me prender (e esta, hein?), muitos livros em casa, músicas da Britney Spears no portátil (as verdades são para ser ditas), músicas da Britney Spears no iPod (...), um feitio de merda, muitas saudades de tempos passados, os livros todos do Harry Potter, um pólo com dupla personalidade, muito, mas mesmo muito, sono.
Eu queria (para o Natal, quem sabe...): Acho-te graça. Também te acho graça. Sou capaz de até gostar um bocadinho de ti. Sim, acho que sim. Hoje não tenho tempo. Vou ter saudades tuas. Dá-me um beijinho. Não. Dois? Ok. Tens meia hora para tirar daí a mão. Coisas simples. Vidas simples. Existências felizes. Existências completas. Sabe bem tudo tão certo. O que me dirás se o tempo nos der o tempo a que temos direito? Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
Objectivo do post: provar à Ana Catarina que sei escrever lamborghini.
terça-feira, 14 de novembro de 2006
Os meus óculos especiais
É muito raro desiludir-me com alguém. Eu acredito até ao fim que as pessoas são boas, mesmo que tenham momentos menos bons. Acredito sempre que as pessoas são interessadas, preocupadas, cuidadosas com os sentimentos dos outros. É o que eu ofereço a quem gosto e acho normal esperar o mesmo de volta. Como é óbvio, esta é uma versão do mundo com muitas falhas. Mas mesmo assim é muito raro desiludir-me com alguém. Mas às vezes acontece-me. Apanha-me sempre de surpresa e de todas as vezes deixa-me triste. O que faço é tentar sempre lembrar-me dessa pessoa da maneira como a vejo e não da maneira que ela se mostrou a mim. É a maneira que tenho de equilibrar o meu mundo, de poder continuar a acreditar que o mundo é assim mesmo, que não sou eu que o vejo através dos meus óculos cor de rosa.
domingo, 12 de novembro de 2006
A simple sunday in paradise
Domingo. Pus o despertador para as dez da manhã (mais quatro horas do que é habitual!). Quando tocou desliguei-o. Sem ficar com a consciência pesada. Sem a sensação que estava a falhar a alguma coisa. Levantei-me às onze e qualquer coisa. Porque me apeteceu. Não tinha onde estar nem ninguém à minha espera. Liguei o rádio e fui preparar as minhas coisas. Pus a minha prancha debaixo do braço e fui para Carcavelos de onde só ía sair com o sol. Era uma promessa que estava disposta a cumprir. Estive no mar do meio dia à três da tarde. A apanhar umas ondas, a enrolar-me noutras, porque estou muito longe de saber fazer surf. Mas mesmo assim sabe bem, faz-me bem. E o resto não interessa nada. Saí da água cheia de fome mas sabendo que a melhor companhia de todas me esperava. Só se os meus pais lá estivessem seria tão bom. O almoço/lanche a olhar para o mar. A conversar de nada, a fingir que o mundo era aquilo. Aquela praia, aquele afecto, aquele momento. O sol pôs-se sem pressas. Como se me quisesse dizer que estava a prolongar o meu dia. Porque foi isso que senti. Que aquele dia me pertencia e que nada podia ser diferente da minha vontade. E foi um dia perfeito.
sábado, 11 de novembro de 2006
Se um mosquito incomoda muita gente, duas melgas incomodam-me muito mais
Estou aborrecida com o mundo dos insectos. Toda a gente conhece as minhas origens africanas e sabe que de onde venho há mosquitos que matam! Mas por cá tal não se verifica. O bicho, em si, é mais ou menos o mesmo. Pequeno, irritante e tal e coiso. Mas não mata. Em primeiro lugar nem tem poderio para ser chamado mosquito, chamam-lhe melgas. Que só por si já não abona muito a favor do animal. O que eu não percebo, e daí a fonte do meu aborrecimento, é que, como é que uma melga, que nem tem capacidade para transmitir uma doença (quanto mais uma doença mortal!), é capaz de fazer estes estragos em mim. Estou com um inchaço no braço, que além de ser feio, incómodo e de me dar comichão, ainda me doí. Ao menos tinha a decência de me passar uma hepatite, ou qualquer coisa do género. Agora digo o quê? "Ah, tou assim porque sou alérgica a picadas de melgas."? Pelo amor de Deus, é que nem sequer me fica bem. Epá, não percebo...
sexta-feira, 10 de novembro de 2006
Eu, mas em ponto pequenino
Hoje dediquei a minha tarde a ler blogs. Porque gosto de ler. E porque não me apetece fazer o que tenho que fazer (mais uma vez...). Hoje dediquei a minha tarde a ler blogs. E senti-me pequenina. Há várias maneiras de nos sentirmos pequeninos. E eu odeio-as a todas. Sentir-me pequenina faz-me ter vontade de ser confortada, sentir-me pequenina dá-me vontade de me esconder num buraco pequenino como eu, sentir-me pequenina dá-me vontade de fugir e de não lutar. Mas que porra, eu sempre fui pequenina e sempre me fiz grande! Nunca pedi para me confortarem, porque não saberia o que fazer se esse conforto me falhasse; nunca me escondi, porque se o fizesse não podia ser vista, não podia ser notada; nunca fugi, sempre lutei, porque... Sei lá porquê. Porque não sei ser de outra maneira. Porque já perdi muita coisa por não lutar. Porque quando se luta consegue-se (quase) tudo o que se quer. E só isso não é motivo suficiente para continuar a lutar? Hoje dediquei a minha tarde a ler blogs. E senti-me pequenina. Mas já me passou.
terça-feira, 7 de novembro de 2006
A minha transparência
Uma pessoa disse-me que não percebia porque é que as pessoas expunham a sua vida na net, que achava que era uma estupidez. Disse-me isto depois de ler o meu blog. Como é óbvio não foi uma coisa que me caiu muito bem. Como a pessoa em questão pode verificar na altura. E, como tal, não podia perder a oportunidade de me defender, de defender uma coisa que até tem alguma importância para mim. Mas, na verdade, a única coisa que tenho a dizer é que não há aqui nada escrito que não possa ser lido em mim, na minha cara, nos meus olhos, no meu sorriso. Ou na falta dele.
sexta-feira, 3 de novembro de 2006
Do coração para o papel, sem passar pela cabeça
Tenho que parar de olhar para os lados. Tenho que parar de me procurar nos outros. Tenho de ser inteira sozinha, tenho que ser completa só por mim. Tenho que parar de achar que a vida tem que ser repleta de acontecimentos, tenho que saber estar em paz, tenho que saber estar quieta. Tenho que deixar de esperar que a minha disposição seja controlada por coisas que eu própria não consigo controlar, que não esteja dependente de mim. Para dizer a verdade estou cansada. Faço o que posso para que a minha vida não pare, para que eu não pare, para não pensar. Mas estou cansada. Quero poder parar, quero poder pensar, mesmo que isso me faça sofrer, mesmo que me faça chorar. Não quero estar sempre a cair, nem sequer estar sempre a levantar-me. É verdade que me faz mais forte, mas estou farta de ter que ser forte. Quero poder declarar fraqueza, como qualquer pessoa. Quero poder dizer que desisto, quero poder largar tudo, sem remorsos. E voltar quando me apetecer. Ou nunca mais voltar. Quero experimentar-me. Quero conhecer-me. Quero parar de tentar encantar, quero que parem de me encantar. Quero ser só mais uma pessoa, não quero ser única, não quero ser especial. Quero parar de me fazer especial, quero parar de tentar ser importante. Já me perdi, já não sei se esta sou eu ou se esta é alguém que quero que vejam. Vou parar tudo e ficar só comigo. Vou parar o mundo e só o ponho a andar quando me aceitar como sou, como tenho que ser, quando me sentir equilibrada. Vou parar. Agora.
quarta-feira, 1 de novembro de 2006
Gosto que me enganes
Gosto da tua urgência por mim. Gosto de te poder completar no fim de uma só noite. Gosto da paixão da tua boca, sem estares verdadeiramente apaixonado por mim. Gosto do fogo do teu toque sem saber quando o vou sentir outra vez. Gosto desse sorriso estúpido na tua cara que não quer dizer rigorosamente nada. Gosto de fingir que não quero saber de ti só para me poder encantar com um olhar mais prolongado. Gosto que não queiras saber de mim enquanto estou cá, mas que fiques doido com a ideia de me perder. Gosto que penses que me podes perder, porque isso significa que achas que me tens. Gosto que queiras saber de mim sem querer perguntar. Gosto dessa expressão de quase carinho, quase amor, quase paixão, no fundo de quase nada. Gosto da maneira como te pões a olhar para mim, para me prender, sem te deixares prender. Gosto que me faças acreditar que sou importante, que me faças sentir importante, que sejas importante para mim.Sim, gosto que me mintas, gosto que me enganes.
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