Fiquei muito desiludida com o principezinho. O principezinho não é um livro inofensivo, no principezinho há mortes, sabiam? Não sei porque é que me deixei enganar com um livro para crianças. É importante sabermos que o amor da rosa existia mesmo que ela não o soubesse demonstrar, foi importante para o principezinho descobrir isso. Foi importante para o principezinho descobrir que a rosa dele era única, que a visão de um jardim cheio de rosas não o fez sentir melhor porque nenhuma daquelas era a rosa dele. Nenhuma delas tinha sido regada e cuidada por ele e era isso que fazia da rosa dele uma rosa tão importante. Foi a raposa que ensinou isso ao principezinho. Que todos os homens são iguais, todas as raposas e todas as rosas são iguais, mas se há uma raposa que cativa um principezinho e um principezinho que cativa uma raposa, então o menino deixa de ser só um menino e a raposa deixa de ser só uma raposa, passam a ser únicos um para o outro. E também lhe ensinou que o mais importante vê-se com o coração. E a serpente não o enviou para casa. A serpente matou-o. Ele próprio disse que as serpentes eram más, que mordiam sem mais nem menos, só porque lhes apetecia. Mesmo que só tivessem veneno para morder uma vez. A serpente matou-o. O principezinho é uma história tão triste. Do princípio ao fim. Um menino que foge de uma flor porque pensa que a flor exige demais e não dá nada em troca, para depois descobrir que a flor lhe perfumava o planeta e que, como a flor o tinha cativado, a flor era única para ele. E a serpente matou-o. Ele confiou na serpente.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
You're so vain, you really think this song is about you, don't you?
Fiquei muito desiludida com o principezinho. O principezinho não é um livro inofensivo, no principezinho há mortes, sabiam? Não sei porque é que me deixei enganar com um livro para crianças. É importante sabermos que o amor da rosa existia mesmo que ela não o soubesse demonstrar, foi importante para o principezinho descobrir isso. Foi importante para o principezinho descobrir que a rosa dele era única, que a visão de um jardim cheio de rosas não o fez sentir melhor porque nenhuma daquelas era a rosa dele. Nenhuma delas tinha sido regada e cuidada por ele e era isso que fazia da rosa dele uma rosa tão importante. Foi a raposa que ensinou isso ao principezinho. Que todos os homens são iguais, todas as raposas e todas as rosas são iguais, mas se há uma raposa que cativa um principezinho e um principezinho que cativa uma raposa, então o menino deixa de ser só um menino e a raposa deixa de ser só uma raposa, passam a ser únicos um para o outro. E também lhe ensinou que o mais importante vê-se com o coração. E a serpente não o enviou para casa. A serpente matou-o. Ele próprio disse que as serpentes eram más, que mordiam sem mais nem menos, só porque lhes apetecia. Mesmo que só tivessem veneno para morder uma vez. A serpente matou-o. O principezinho é uma história tão triste. Do princípio ao fim. Um menino que foge de uma flor porque pensa que a flor exige demais e não dá nada em troca, para depois descobrir que a flor lhe perfumava o planeta e que, como a flor o tinha cativado, a flor era única para ele. E a serpente matou-o. Ele confiou na serpente.
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