segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Imagine there was no tomorrow

Estou a viver um romance de livro. Tenho que explicar. Estou a ler um livro e a viver o romance. Um romance que é muitas coisas e não é apenas uma. Meu. Mas mesmo assim sinto o coração parar quando os corações falam da mesma maneira e perdida quando não vejo nada, quando parece que não há nada para ver, quando tenho a certeza que nunca houve. Há vezes que me pergunto como pode ser possível sentir tanta coisa ao mesmo tempo. Às vezes pergunto-me onde vou buscar tanta coisa para sentir. Pergunto-me como é que a minha cabeça se lembra também de respirar. Já pensei não voltar a pegar no livro. Deixá-lo numa prateleira e esquecer-me que ele existe. Mas a ideia de não lhe ler mais nenhuma palavra magoa-me mais que qualquer palavra que possa ler. Fecho os olhos e todas as imagens se põem no seu lugar. Umas que vi, outras que inventei enquanto lia. Todas improváveis. Todas carregadas de uma coisa qualquer que as torna tão pesadas. Perfeição? Volto a abrir os olhos, volto a focar a realidade e vejo que não é isso. Destino? Sorrio involuntariamente. O destino é só um disparate que alguém inventou para não ter que se levantar de manhã. O que pesa são as expectativas. Não daquilo que pode ser. Daquilo que deve ser.