segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Waiting for the world to change

Tenho que arranjar maneira de te dizer isto. Estive dois dias à espera que o fim de semana passasse para te poder ver outra vez. Ver-te... Eu sei. Eu sei que não nos podemos ver outra vez. Mas são as tuas palavras. Foi tudo que me disseste quando não nos podíamos ver mas não quisemos saber e foi tudo que me disseste quando já te devias ter esquecido de mim. E como uma promessa que não fizeste mas que não deixaste de querer cumprir, estavas aqui. Estás aqui e não consigo evitar sentir a tua falta. Por isso, desculpa. Por isso e por tudo o resto. Por ter aparecido na tua vida e por me ter imposto na tua vida. Por me ter deixado conhecer. Por te ter mostrado tudo o que sou. Por ver o efeito que estava a ter em ti e por não ter parado. Por causa do efeito que estavas a ter em mim. Quero pedir-te para continuares a procurar o meu perfume. Quero pedir-te para não te esqueceres de mim. Quero pedir-te para me continuares a ver dessa maneira. Porque através dos teus olhos verdes eu sou bonita como em nenhum espelho. Porque aquilo que eu sou nunca foi tão interessante para ninguém como foi para ti. Como é para ti? Obrigado por me completares em tão pouco tempo, e por teres sido tudo que eu precisava num instante. Obrigado por me teres lido de uma vez, sem querer e tão bem. Obrigado por toda a importância que me deste. Por seres tão importante para mim. Por seres parte de mim para sempre e de uma maneira que nenhum de nós consegue explicar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Deixa-me falar-te no passado. Depois de tudo, foste a primeira pessoa que me permiti gostar assim. Não te consigo dizer porquê, mas acho que não foste tu, acho que eu, de repente, estava pronta. E as tuas palavras não escolhidas tomaram conta do meu coração. As tuas promessas descuidadas prenderam-me mesmo sabendo que se cedesse não teria para onde fugir. Mas rapidamente te habituaste a mim, à minha presença e à minha atenção. E eu perdi valor. Passei a ser só mais um número na tua vida. 2ª, 3ª, 4ª, ... Não sei bem. E também já não me interessa saber, agora que te estou a falar no passado. Não te quero mentir, claro que sinto a tua falta. Não te posso mentir e dizer-te que não penso em ti todos os dias. Mas nem todos os dias tenho a certeza de te querer. Quero-te no passado. Penso em ti no passado. Penso em tudo que partilhámos sem querer. Penso em como éramos cúmplices. Em nós e com tudo o resto, contra todos os outros que nunca nos perceberam, que nunca acreditaram em nós. Mas isso também já não interessa. O nosso nós ficou no passado, o nosso nós que nunca existiu, o nós que inventámos para poder justificar o que nós queríamos. O que nos queríamos. Sendo sincera não te vejo no futuro. Pensando bem ainda te procuro no presente. Mas deixa-me falar-te no passado. Nunca vais perceber o quanto te amo no passado.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Full disclosure

Na minha cabeça ninguém te conhece como eu. Porque ninguém, como eu, sabe todos os teus segredos e te aceita mesmo assim. Na minha cabeça ninguém te entende como eu. Ninguém, como eu, percebe as tuas hesitações, as tuas acções longe das tuas palavras. Nem tu. Na minha cabeça consigo ver claramente o que se passa na tua. Só não consigo decidir por ti. Na minha cabeça não fomos feitos um para o outro, mas encontramo-nos na altura em que tinhamos que ser um do outro. Na única altura em que o podiamos ser. Na minha cabeça ninguém te vê como eu. Ninguém, como eu, sabe a cor dos teus olhos no escuro. Ninguém, como eu, conhece o contorno da tua boca sem olhar. Ninguém, como eu, tem memorizado o cheiro do teu perfume. Ninguém, isso eu sei, te quer como eu.
No nosso mundo ninguém mexe comigo como tu. Ninguém, como tu, diz sempre o que eu não estava à espera, para descobrir que não há mais nada que queira tanto ouvir. No nosso mundo ninguém me quer como tu. Porque ninguém, como tu, conhece tão bem o formato das nossas mãos dadas, o tamanho do nosso abraço ou as promessas dos teus beijos. No nosso mundo ninguém me vê como tu. Ninguém, como tu, olha para mim sem pensar em nada, a tentar memorizar cada pedaço. No nosso mundo ninguém é tão perfeito como tu. Porque mais ninguém, só tu, tem o direito de lá estar.
Na realidade eu choro sozinha quando vais embora. Porque tu e eu, não nos podemos pertencer.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Foolish Games

Eventualmente deixa de ter graça. O jogo tem o seu interesse durante um tempo, mas eventualmente acaba por cansar. Pelo menos a mim. Aguento ser o gato se puder ser o rato de vez em quando. Só assim consigo continuar a brincar. Caso contrário perco a vontade, o interesse, a pica e qualquer outro sentimento que me faça andar em frente e continuar a andar para a frente. Não remo contra a maré e muito menos remo sozinha. Tenho paciência para esperar para ver, mas sou impaciente o suficiente para largar antes de acabar. Não que queira saber se tem fim antes de começar. Mas gosto de ver pelo menos dois passos à frente. Começo pela expectativa, passo para a ansiedade e depois disso começa a doer. E quando dói, faço o que faço sempre. Começo a empurrar para um canto e cada vez dói menos. Cada vez importa menos. Sou levada durante um tempo na estratégia de dar só o que é preciso e voltar quando isso acabar. Mas eventualmente apercebo-me. E tenho que admitir que não gosto. Revela preguiça, falta de interesse real ou erros de medição de valor pessoal. Não tenho paciência para ficar e descobrir qual é o caso. Estive a pensar se posso estar chateada. Talvez possa, mas não estou. Mas acho que estou no meu direito de estar um bocado desiludida.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

The way you see me

Hoje é um daqueles dias. Daqueles dias em que falho um pé ao sair da cama e agradeço não dormir muito longe do chão. Daqueles dias em que o shampoo cai em todo o lado menos na minha mão. Daqueles dias em que falho o caixote do lixo. Duas vezes. Daqueles dias em que tento por os óculos de sol enquanto como uma maçã e de repente tenho maçã nos óculos, maçã na blusa, maçã da mão até ao cotovelo e óculos de sol no chão. Daqueles dias em que espirro enquanto ando e tropeço, não sei se em mim mesma, ou se no ar. Não é um dia mau. É só um daqueles dias.

Daqueles dias em que ponho a música nos phones no máximo e tento esquecer tudo. Com medo que tudo se esqueça de mim. Daqueles dias em que outro cheiro me parece enxofre, que outra proximidade me parece errada e outro toque me faz querer gritar “Porra, parem de me pisar, empurrar e de chocar contra mim!”. Mas quando abro a boca o momento já passou. Sem raiva. Daqueles dias em que prendo o cabelo todo e me esqueço dos brincos. Sem interesse. Daqueles dias em que agradeço saber o caminho de cor, mas quando chego vejo que demorei quase o dobro do tempo e me pergunto onde me perdi. Sem noção. Daqueles dias em que dou um passo para o lado para me desviar do buraco e acerto em cheio na lama. Sem reflexos. Daqueles dias em que, a meio do caminho, reparo que não está sol mas eu estou de óculos escuros, e passado um bocado me pergunto porquê que o dia me parece tão escuro só para reparar que não tirei os óculos. Daqueles dias em que passo o dia a olhar para o telefone e fico agradecida por estar calado, mas sem saber porquê que está calado. Sem respostas. Daqueles dias em não me apetece chorar, não me apetecer rir, não me apetece fingir que estou bem, nem explicar que não estou mal. Só dormente. Sem sentidos. Daqueles dias em que não quero lembrar-me das últimas coisas que disse, das últimas coisas que ouvi, da forma que tomaram com o tempo, com o significado que lhes tirei sem querer, sem saber, tarde e que me deixou sem vontade de retaliar. Sem fogo. Daqueles dias em que o que sinto parece fome só por ser também vazio. Sem instintos além do de acabar o dia.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

The way you make me feel

Não fui feita para sofrer. Não consigo abraçar a dor. Não tenho nada a aprender com os meus erros. Só preciso de um minuto. Preciso de um minuto depois de perceber que estou magoada. Preciso de um minuto para ter a certeza. Depois levanto-me e levo tudo atrás. Fecho os olhos para não correr o risco de me arrepender e levo tudo atrás. Sei sempre o que quero e sei sempre quando o que quero me vai fazer sofrer, mas não é isso que me pára. Acredito em correr atrás, em lutar, em não desisitir, em mostrar que quero, em não deixar esquecer que existo. Acredito em dar tudo sem receber nada em troca além de "gosto que estejas aqui". Sou capaz de ignorar o bater do coração, sou capaz de prender a respiração, sou capaz de matar os sentimentos se tiver que ser. Faço qualquer coisa para não sofrer. Choro sozinha e choro tudo de uma vez. Acredito no que me dizem, e ainda acredito mais no que me fazem. Enquanto não me fizerem sofrer não vou a lado nenhum. Podem não me fazer rir, mas o que não podem é fazer-me sofrer. Não tenho medo de sofrer, só não fui feita para sofrer.

domingo, 22 de novembro de 2009

Ask no questions, hear no lies

Existe uma maneira de se dizer as coisas que não se quer dizer? Existe uma maneira de não esperar pelas coisas que não se quer que aconteça? Existe uma maneira de me desligar? De não olhar para trás? De não querer voltar atrás? E se existir? Serei capaz de o fazer? Será que o quero fazer? Existe uma maneira de controlar o meu humor sem perder o controlo ao que me rodeia? Existe uma maneira de decidir sem saber nada? Existe uma maneira de perceber, ver, acreditar e parar? Porque preciso tanto de parar. Existe uma maneira de me permitir sentir sem sentir que prefiro não sentir? Será que é uma coisa que uma vez perdida não se recupera? Existe uma maneira de parar de olhar para o que não quero ver? Existe uma maneira de me lembrar do milhão de coisas que tenho para gritar sem ter vontade de as dizer? Será que existe uma maneira de desaparecer de todo o lado, deixar de existir por um minuto sem ninguém notar? Existe uma maneira escolher prioridades? Existe uma maneira de mostrar que não está certo? Existe uma maneira de dizer que não é assim que faço as coisas? Mas o que eu sinto na garganta é que acabei de escrever e nada mudou. Ou tudo mudou e eu não tenho maneira de saber.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Giving you a chance to miss me

No, it's not easier. I never said it was easier. But seeing things as they are, it's something I have to do. That I should do. Come sit next to me and look as far as you can. Stop living your life for just a minute and spend some time looking to where you're pointing. Can you see what I see? Nothing. Yes, I can see our words, our promises, I can even see some dreams that I hope aren't only mine, too. But what is that worth? Nothing. Yes, I want to believe it too. But I can't. I shouldn't. I'm all the things that you think I am, and even though I seem wonderful right now, reality and proximity are going to, eventually, win. Everything is fun now. Except the distance. But I know I'm not right for you. Not in the way that you're perfect for me. So, believe me. It's not easy. Easy is being where you wanted me to be. Easy is feeling the heart beating with the heart beating with the clock that would stop so that we could be together forever. So we could be together until it remembered to star ticking again. Seconds, minutes, hours, days, months and all the years with thousands of miles between us. Again. Because that's our destiny. Always being in the other side of the world. Always being in the wrong side of the world when all I wanted to be is by your side. Always wondering why we're not together and how it would be like if we were. Can you see it now? Can you see, now that you're finally looking to where I'm pointing?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nem metade

Não sei se é falta de auto-estima ou excesso de confiança. Acho que nunca chega a ser uma coisa nem outra. Mas sei que oscilo entre um ponto e outro sem me decidir se gosto de mim ou não. Nunca consegui perceber se tenho valor ou se sou só uma fraude. Uma colagem de mentiras tão bem feita que às vezes me engana a mim também. E faz-me gostar de ser quem sou. Não estou a ter um ataque de dúvida de personalidade. Sei bem quem sou. Mas ainda não percebi se gosto ou não. Gosto de gostar de estar sozinha. A minha música, os meus livros, as minhas pernas em passo de corrida. Os filmes não. Os filmes são para me esquecer. Gosto desses momentos em que posso tudo contra qualquer mundo. Gosto da sensação de enfrentar o meu mundo. Mas depois continuo a olhar para outros mundos, mesmo quando sei que já é tarde. Quem sou eu? A que luta sozinha ou a que tem medo de lutar sozinha para sempre? Gosto de ouvir a minha cabeça a trabalhar. As engrenagens a encaixarem no sítio e a tirar sentido de tudo. Porque tudo tem que fazer sentido. Mas depois agarro em palavras, frases, sentimentos, sentidos, olhares sem conseguir agarrar o seu significado. E não me deixo chegar à conclusão que, não é que não façam sentido, simplesmente não existe nada para ligar. Qual sou eu? A cabeça racional ou o coração sem lógica? Não é uma luta entre as minhas qualidades e os meus defeitos. Só ainda não percebi se gosto da soma dos dois.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Não há cabeça para títulos

A história que vos trago hoje é uma história de dor, por isso aviso desde já que não é para os fracos de coração. Tenho também que explicar, para que consigam perceber o que vos conto, que tenho um relógio que mede os meus batimentos cardíacos e que, em função desses batimentos, calcula as calorias que perco. Também não sabia que as calorias dependiam do bater do coração. Estamos sempre a aprender. Por isso, esta é uma história de dor, mas também uma história que ensina, o que é sempre um bónus. Bom, passemos então à história propriamente dita. Não vou começar com "era uma vez" porque esta é uma história moderna. Arrepiante, mas moderna.

Acordei às cinco da manhã com a cabeça a mil. Só tinha que me levantar quarenta e cinco minutos depois, mas voltar a dormir não era uma possibilidade. Tinha que parar a cabeça. Fui à procura da aula mais forte do meu (fantástico) ginásio. Por sorte também era a mais cedo. Vesti-me. Reparei que pus uma t-shirt tão o meu número que me chegava aos joelhos. Como eu gosto de estar no meu melhor aspecto no ginásio nem me preocupei em mudar de roupa. E aí vou eu, pick-up Avenida de Lenin acima. Cheguei e arranjei logo um lugar para estacionar o que é um bom agoiro. Estava desejosa de começar a aula e conseguir desligar a cabeça. Depois disso, a minha memória é um borrão. As pernas eram uma massa de dor, os pulmões estavam a tentar não ter um ataque de asma e o meu relógio recusou-se a medir a minha frequência cardíaca. Acho que não tinha dígitos suficientes ou simplesmente partiu do principio que eu tinha morrido. Estava a transpirar tanto que até tirei a minha t-shirt/vestido (NOTA: vou para o ginásio com um soutien de desporto, um top de desporto por cima e mais a t-shirt, que tenho material que precisa do seu apoio). Perdi a vergonha, cedi ao calor e o suor a escorrer-me pela barriga, pelos ombros, pela cara, pelo pescoço, e mostrei as minhas banhas indiscriminadamente. A minha cabeça estava mais preocupada em manter-me viva. E quando a aula acabou, olhei para o meu relógio e o que ele tem para me dizer é "vais-me desculpar mas com esse batimento cardíaco errático nem sequer conseguiste queimar o bananão que comeste há bocado". Então arrastei-me para a passadeira mais próxima para mais vinte minutos de exercício. As boas notícias (é verdade, existem!) são que consegui matar os pensamentos que me acordaram e que ainda tenho ritmo para acompanhar uma aula. Pernas, pulmão e coração não, mas lá ritmo para morrer ao ritmo da música, isso parece que ninguém me tira. O que tenho andado a fazer no ginásio é uma brincadeira, isto sim é puro sofrimento. Do bom. Bem bom.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Imagine there was no tomorrow

Estou a viver um romance de livro. Tenho que explicar. Estou a ler um livro e a viver o romance. Um romance que é muitas coisas e não é apenas uma. Meu. Mas mesmo assim sinto o coração parar quando os corações falam da mesma maneira e perdida quando não vejo nada, quando parece que não há nada para ver, quando tenho a certeza que nunca houve. Há vezes que me pergunto como pode ser possível sentir tanta coisa ao mesmo tempo. Às vezes pergunto-me onde vou buscar tanta coisa para sentir. Pergunto-me como é que a minha cabeça se lembra também de respirar. Já pensei não voltar a pegar no livro. Deixá-lo numa prateleira e esquecer-me que ele existe. Mas a ideia de não lhe ler mais nenhuma palavra magoa-me mais que qualquer palavra que possa ler. Fecho os olhos e todas as imagens se põem no seu lugar. Umas que vi, outras que inventei enquanto lia. Todas improváveis. Todas carregadas de uma coisa qualquer que as torna tão pesadas. Perfeição? Volto a abrir os olhos, volto a focar a realidade e vejo que não é isso. Destino? Sorrio involuntariamente. O destino é só um disparate que alguém inventou para não ter que se levantar de manhã. O que pesa são as expectativas. Não daquilo que pode ser. Daquilo que deve ser.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

'Cause I'll be coming over

Por mais que me tente fazer forte, por mais que me tente distanciar, por muito bem que esteja, não consigo apagar uma vida. Ouço uma música que não tem nada a ver e a letra obriga-me a ir a todos os sítios. Ao passado, ao presente e ao futuro. Não consigo evitar sentir saudades. Não consigo fingir que não vivi na vossa vida. E mesmo tendo que admitir que não quero voltar atrás (não quero mesmo), tenho que admitir que gostava de vos puder trazer comigo. Queria puder mostrar-vos a minha vida.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Sei que estou a doer por dentro quando...

... tenho a folha de excel aberta e não me apetece fazer-lhe nada.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Nice girls never finish

Aqui vai o motivo (óbvio) por ter copiado o post de outra pessoa...


Isto é um tributo às boas raparigas. As boas raparigas que nunca deixam de ser só amigas, que aguentam horas de queixas sobre como as mulheres são fúteis, quando nem sequer concordamos com isso. Isto é dedicado aquelas mulheres que estão sempre prontas para ouvir e que se controlam na hora de falar. Aquelas mulheres que aguentam horas a falar de outras mulheres claramente menos giras/espertas/bonitas/engraçadas/sexys que elas próprias. Aquelas mulheres que não são os alvos de elogios porque o decote não é grande o suficiente nem a saia pequena o suficiente. Isto é em honra das mulheres de mente aberta, sempre numa boa, com preocupações honestas. Isto é em honra das mulheres que respeitam todas as facetas de um homem, desda a sua privacidade, passando pelo clube de futebol até à (às vezes bem duvidosa) sua maneira de se vestir.

Isto é para as mulheres que aceitam convites do seu amigo para sair, para chegarem à conclusão que só foram para lhes fazer companhia a aturar as amigas bebâdas dele. Isto é paras a mulheres que têm que se proteger a si próprias em bares porque o seu amigo está a tomar conta das amigas meias despidas dele. Isto é para as mulheres que se vestem bem, que se portam bem, que falam bem, que escrevem bem, que não bebem e que têm conversas interessantes, mas que vivem no mundo em que quem ganha é quem se veste pouco, que se porta mal, que só precisa de saber dizer "pão", que escreve mensagens com 'k's e com 'x's, que bebe até perder a consciência e que só sabe falar de si própria. Para as mulheres que são chamadas de "boas para namorada" mas que nunca o chegam a ser, para todas as boas raparigas que são desvalorizadas, desprezadas e desdenhadas, para todas as boas raparigas que são manipuladas, maltratadas e injustamente abandonadas, isto é para vocês.

Isto é pela vez que esperam horas por um telefonema que não chegou porque ele estava ao telefone a resolver uma crise de adolescência de outra. Isto é pela vez que quando ele finalmente teve tempo de estar contigo, passou duas horas a falar sobre os problemas com homens de outra pessoa. E mesmo que aches que a outra é parva e que vai voltar para o mesmo paspalho outra vez, dizes ao teu amigo que ela vai abrir os olhos e perceber o erro que está a cometer. Isto é pela vez que o ouviste dizer que a outra era criança, fútil, parva e imatura, apenas para os encontrar juntos num jantar a que foste sozinha. Isto é pela vez que saiste a meio desse jantar porque ela se foi embora com uma birra qualquer e tu foste levá-lo a casa e conversar. Sobre ela. Porque és assim tão boa rapariga.

As boas raparigas raramente recebem o mérito que merecem. E pior ainda, as boas raparigas não recebem um terço da atenção que outras parecem ter. Eu gostava de ter uma explicação lógica para isto, mas não tenho. Pelo que observo e converso com as pessoas, a única conclusão a que consigo chegar é que os homens são parvos e gostam de ser maltratados. Muitos deles dizem que só queriam uma rapariga, mas quando lhes aparece uma dizem coisas absurdas como "ela é boa demais para mim" ou "é muita areia para o meu camião" ou "ela é melhor pessoa que eu" ou, a pior de todas "não quero estragar a nossa amizade". Mas mesmo assim continuam a queixar-se do tratamento que recebem pela mão das mulheres e esperam que as suas amigas boas raparigas sejam compreensivas e peçam desculpa pela estupidez de outras mulheres. Peço desculpa, minhas amigas, mas homens assim estão para lá da minha capacidade de compreensão. Não sei porque que existe uma diferença entre o que eles dizem ("O que eu queria era uma pessoa que me tratasse bem e com quem pudesse conversar") e o que fazem ("Agora vou sair com aquela gaja das mamas grandes que só sabe contar até 7").

A má notícia que tenho para vocês é que este fenómeno não tem fim. Nós fechamos o ciclo. Os maus rapazes dormem com as más raparigas. As más raparigas dorme com os maus rapazes e quando eles se cansam delas, viram-se para o bom rapaz que está sempre ali para elas. Os bons rapazes esperam pelas más raparigas e se elas nunca se virarem para eles, viram-se para a boa rapariga que está sempre ali para eles. As boas raparigas esperam pelos bons rapazes. As boas raparigas são as únicas que correm o risco de ficar sozinhas.

"Nice guys finish last"

Há uns tempos um "nice guy" amigo meu mostrou-me este post num blog. Blog esse que, infelizmente, de momento se encontra encerrado, por isso tomei a liberdade de copiar para aqui o post e cometi a arrogância de o traduzir...

"Os bons rapazes são sempre os últimos"

"Isto é um tributo aos bons rapazes. Os bons rapazes que são os últimos, que nunca deixam de ser só amigos, que aguentam horas de queixinhas sobre como os homens são parvalhões, quando nem sequer concordam com isso. Isto é dedicado aqueles homens que têm sempre um ombro para oferecer, mas que se controlam quando têm vontade de abraçar, aqueles homens que seguram portas, que dão palmadinhas reconfortantes nas costas e que esperam pacientemente do lado de fora dos provadores das lojas de roupa. Isto é em honra daqueles homens que nunca se cansam de repetir como a sua amiga é gira/esperta/bonita/engraçada/sexy, no momento certo, porque eles sabem que as mulheres precisam deste tipo de apoio. Isto é em honra dos homens de mente aberta, sempre numa boa, com preocupações honestas. Isto é em honra dos homens que respeitam todas as facetas de uma mulher, desda a sua privacidade, passando pela sua fé até à maneira dela se vestir.

Isto é para os homens que levam as suas amigas bebâdas a casa e não se aproveitam delas, para os homens que acompanham as suas amigas a bares para afastar os bebâdos que se metem com elas, para os homens que sabem que uma mulher está à pesca de elogios, mas fazem-nos mesmo assim, para os homens que seguem as regras num jogo que favorece os batoteiros, para os homens que são chamados de "bons para namorado" mas, por algum motivo, nunca o chegam a ser, para todos os bons rapazes que são desvalorizados, desprezados e desdenhados, para todos os bons rapazes que são manipulados, maltratados e injustamente abandonados, isto é para vocês.

Isto é pela vez que ela deixou 40 mensagens urgentes no teu telefone e quando lhe ligaste, ela passou horas a dissecar duas frases que o namorado dela disse ao jantar. E mesmo que aches que o namorado dela é um grande palhaço, asseguras-lhe que está tudo bem e que ela não precisa de se preocupar. Isto é pela vez que ela interrompeu a maior matança que alguma vez tinhas conseguido no GTA3 para se queixar de um rumor que a ligava romanticamente a um tipo que ela despreza. E mesmo que penses que é uma coisa imatura de fazer e até nem tinhas nada contra o tipo, pausas o jogo durante duas horas e ajuda-la a conjecturar um "contra-rumor" para espalhar no escritório. Isto também é pela vez que ela não tinha companhia e te arrastou para uma festa onde não conhecias ninguém, a cerveja era uma porcaria e em que ela se meteu contigo a noite toda, mas sempre que alguém se metia com vocês, ela dizia "nós somos só amigos!". E mesmo que soubesses que foste convidado só para servir de enconsto, foste de qualquer maneira. Porque és assim tão bom rapaz.

Os bons rapazes raramente recebem mérito pelo que fazem. E pior ainda. O bom rapaz parece não conseguir ter sexo tantas vezes quanto devia. E eu gostava de ter uma explicação lógica para isto, mas não tenho. Pelo que observo e converso com as pessoas, a única conclusão a que consigo chegar é que a maior parte das mulheres são simplesmente ilógicas, manipuladores e umas cabras. Muitas delas dizem que só queriam um bom rapaz, mas quando lhes aparece um, dizem coisas irracionais e confusas como "ele é boa pessoa demais para mim" ou "dava um bom namorado mas não é para mim" ou "ele já atura tanta coisa de mim, que não lhe podia fazer isso" ou, a pior de todas "não quero estragar a nossa amizade". Mas mesmo assim, continuam a queixar-se da falta de homens no mundo e esperam que os seus amigos bons rapazes sejam compreensivos e peçam desculpa pelos homens que não valem nada. Peço desculpa, amigos, mas raparigas assim estão para lá da minha capacidade de compreensão. Não sei porquê que existe uma diferença entre o que elas dizem ("Quero uma pessoa que me trate bem") e o que elas fazem ("Agora vou sair com aquele parvalhão"). Mas há uma coisa que posso fazer, que é dizer que o fenómeno "bons-rapazes-ficam-em-último" não dura para sempre. Há muitas mulheres a quem isto já lhes passou e perceberam que deviam namorar com bons rapazes e não tê-los como garatindos. A parte difícil é encontrar essas mulheres e ainda mais difícil é encontrar as que ainda estão solteiras.

Por isso, enquanto não as encontramos, proponho um brinde a todos os bons rapazes. Vocês sabem quem são e vocês sabem que estão cansados de serem chamados de "bonzinhos". Mas a verdade é que o mundo precisa da vossa paciência na loja de roupa, que segurem a porta, a vossa companhia nas festas, a vossa capacidade de ser um pateta com um sorriso na cara. Por todas as coisas malucas, absurdas, estúpidas que vocês toleram, por todas as situações em que são o herói sem rosto e sem nome, meus caros, os meus parabéns e a minha gratidão. Vocês têm credebilidade nesta sociedade e a vossa mais que merecida recompensa está a caminho."

domingo, 13 de setembro de 2009

Just stay there

Sei que já não sentia este aperto há muito tempo. Há muitos anos. É o coração a avisar-me que me estou a agarrar a nada. Não me lembro da última vez que dei um passo tão em falso. E não me lembro da última vez que me senti assim só por ouvir cinco palavras. Não me lembro da última vez que quis largar tudo e correr. Sem olhar para trás. Quando o encanto acabasse preocupava-me com o mundo. Há muito tempo que uma coisa não me fazia sentido de uma maneira tão disparatada. E agora é altura de olhar para trás e ver que já tentei. Tentei com tanta força que quebrei o encanto. E este que vejo não é mais que um nevoeiro de enganos, desilusões recentes e dores presentes. Estou-me a deixar enganar de propósito. Para poder sentir este aperto outra vez. Há muitos anos que não me sentia tão viva. Há muito tempo que não me sentia tão eu. Lembrei-me agora de mim. Repeat item.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Ainda estou a decidir

Tenho saudades da escola. Ou dos anos em que andei na escola. Ainda não sei bem. Ainda não me decidi. Não é porque tudo era mais fácil. Ou se calhar também é. Ainda não me decidi. Acho que é por andar na rua e sentir que já não conheço nada. Ainda não sei bem. É-me tudo tão familiar mas no fundo deixei de pertencer aqui. Mas também não pertenço a mais lado nenhum. Isso sei eu bem. Talvez me faça falta a sensação de entrar num mundo mais pequeno. Talvez me faça falta a sensação de entrar num mundo onde raramente perdia. Talvez me faça falta a sensação que as feridas que fiz tinham a vida toda para sarar. Talvez me faça falta a sensação de sentir que sou alguém mas podendo não ser nada também. Ainda não sei bem. Ainda não me decidi. Sei que já percebi que me faz falta ter pessoas na minha vida. Muitas. E acho que me faz falta não precisar de decidir se as pessoas são importantes para mim ou não. Queria que simplesmente existissem. Quando é que comecei a ser adulta? E como é que faço com que pare?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

It's hard to be humble when you're so funckin' big

Admito que devo uns quantos pedidos de desculpa. Tenho que admitir. Foram desculpas que fugi de pedir, situções que evitei enfrentar, umas superadas com o tempo, outras por resolver e algumas que, provavelmente, nunca mais vão voltar a ser o que eram. Foram decisões que tomei (ou que fugi para não tomar) e tenho pena. Porque foram decisões de fraqueza e por isso tenho muita pena. Custa-me olhar à volta e ver os ventos que semeei, tenho medo das tempestades que vou ter que colher. Mas não faz mal (faz mal só um bocadinho). Não faz mal porque sempre aprendo e vocês também me aprendem. Sou capaz de aguentar umas quantas pancadas, mas admito (tenho que admitir) que chega a uma altura que desisto e vou-me embora. E a partir daí já não faz mal (nem sequer um bocadinho). E acho que somos todos assim, por isso a ti, a ti que não pedi desculpa só tens que escolher se é só mais uma pancada ou se finalmente te dei a pancada. E nesse caso, manda-me embora e deixa-me estar porque já não te mereço. De qualquer modo deitamo-nos todos (uns com os outros) nas camas que fazemos. Somos seres de livre arbítrio e tenho o direito de arbitrar as desculpas que peço, as culpas que esqueço e as desculpas que passo. São decisões que estou a tomar com a consciência que terei que viver com elas. Espero saber o que estou a fazer e se não souber, admito que me fará crescer. Tenho que crescer.


Digo que há culpas que não são minhas. Tenho que dizer. São culpas que se não admitir, vão fazer com que muita coisa nunca mais volte a ser o que era. São decisões que estou a tomar e não tenho pena. Porque são decisões pensadas com tempo, por isso não posso ter pena nenhuma. Não fui eu que semeei os ventos e recuso-me a colher tempestades que não me pertencem. Aguentei muitas pancadas, mas admito (tenho que admitir) que a altura chegou em que tive de desistir e ir-me embora. E a partir de agora já não faz mal (nem sequer um bocadinho). E acho que somos todos assim, por isso a ti, a ti que não pedi desculpa só tens que perceber que não foi só mais uma pancada, finalmente deste-me a pancada. E por isso mandei-te embora e peço para me deixares estar porque já não me mereces. De qualquer modo deitamo-nos todos nas camas que fazemos. Somos seres de livre arbítrio e tenho o direito de arbitrar as desculpas que peço, as culpas que esqueço e as desculpas que passo. São decisões que estou a tomar com a consciência que terei que viver com elas. Sei o que estou a fazer. Tenho que saber.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Sabemos que fomos bem educados quando...

... estamos sozinhos e damos por nós a comer bolachas maria de boca fechada.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

It's all in my head and I can't shake it

Não vamos cair no engano de pensar que não estou assustada. Mas também não podemos cometer a besteira de pensar que não quero ir. Quero ir por duas razões. Primeira: quero estar lá. Segunda: não quero estar aqui. Foi o pior ano dos onze que aqui estive. Doze meses de desilusões. Quanto a isso não sei bem o que pensar, já que não podemos cair no erro de ignorar a estatística e fugir a chegar à conclusão que a culpa só pode ser minha. Não é assumir o papel de vítima nem porra nenhuma desse género. Achava que tinha milhões de amigos mas era uma adolescente histérica e parva e de repente vi-me sozinha. Comecei a recolher amigos como uma maluca e a prendê-los a mim como uma doida e de repente não me vi sozinha mas vi-me a precisar de corrigir alguns erros. Depois disso sim, vi-me (não de repente, que esta coisa da amizade é uma cena que puxa à manutenção) confortavelmente rodeada de pessoas por quem valia a pena fazer tudo, com a certeza que tudo fariam por mim. A vida levou-me para outra vida (e agora sim, bem de repente), uma vida que senti ser minha e que naquela altura precisava da minha dedicação mais do que qualquer outra coisa. Enganei-me e quando voltei para trás não encontrei nada do que deixei. Pensei que antes de partir tinha deixado doses de amor e carinho suficientes para esperarem por mim, e aprendi uma lição. Aprendi que esta coisa da dedicação é uma cena que não se ensina, não se empresta nem se garante. Ou está lá ou nunca estará. Não fazem dois dias que me disseram que temos que aceitar as pessoas como elas são. Mas há algum tempo, não muito, descobri que aceito que uma pessoa seja péssima com horas, fútil, criança, bruta, mal educada, preguiçosa, manienta ou distraída. Não aceito falhas de carácter. Se bem que é uma avaliação bem subjecitva, mas olha que merda, estou-me a cagar. Também tenho o direito de ser injusta e de não esquecer e de não olhar para o lado e de levar o que me apetecer a peito. Se me sinto magoada também tenho o direito de me revoltar e de não perdoar. Não perdoo. Para já não dá. E com o tempo as distâncias só ficam maiores, mas já pensei nisso e que seja. Tenho o direito de me sentir querida e não vou abicar dele. Vou-me embora sem olhar para trás, juro. Não deixo nada que vá sentir falta. Minto. Juro que vou sentir a vossa falta. A tua porque foste a única pessoa em quem senti a perda quando disse que me ía embora. E a tua porque te amo como nunca amei ninguém e porque me pertences e te pertenço para sempre, seja qual for a distância temporal, física ou outra qualquer que queriam por em cima de nós. Tudo o resto deixo cá sem remorsos. E peço desculpa por isso.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Why bother?

"O quê que vai mudar na tua vida? Costumas estar em Luanda um mês. É a mesma coisa, só que vais estar a trabalhar e são cinco meses."

Enfim... Não consigo escrever o som da gargalhada que ouvi na minha cabeça na altura. Enfim... É igualito, igualito.

domingo, 24 de maio de 2009

Thnks Fr Th Mmrs

Se se deu tudo o que se tinha para dar e mesmo assim não chegou, então é porque não valia a pena.

 

O que custa mais não é a perda nem a separação, o que realmente magoa é ter que admitir que afinal não valia a pena.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Monólogo

Bem cedo percebi que tinha que crescer. Todos nós temos maneiras diferentes de nos defender e bem cedo desenvolvi mau feitio. Quanto menos pessoas deixar que se aproximem de mim, menos são as hipóteses de me fazerem sofrer. E se acabarem por ficar por perto é porque acabaram por gostar de mim pelo que sou. É por isso que sou a pessoa a quem ligam de dia, à tarde e a meio da noite e sabem que vou pegar no carro e vou fazer o que puder. É por isso que sabem que tenho sempre o telefone ligado, que respondo às mensagens em tempo real, que atendo todas as chamadas, mesmo que o número seja anônimo. E vou fazer o que puder. Apenas peço aos outros que sejam os amigos que eu sou. Mas bem cedo percebi que o meu mau feitio, esse que me defende, é desculpa para muita coisa. Quando alguém se chateia comigo a primeira pergunta que oiço é "o quê que fizeste?". Sou bruta, sou brusca, sou intempestiva, facilmente irritável e mal educada. Por isso, se alguma vez me fizerem mal e alguém vos for confrontrar, digam apenas "sabes como é o feitio da Ana". Passam a ter razão. Vale tudo e podem fazer tudo porque no fim a culpa vai ser minha. Basta dizerem "sabes como é a Ana". Fazem-me falta as pessoas que se revoltam contra as injustiças. As minhas injustiças. Não me chega que concordem que é injusto. Faz-me falta que batam o pé. Faz-me falta ter pessoas ao lado quando fui magoada. Faz-me falta que lutem por mim, que me defendam, que achem que valho pelo menos isso. Acabo por perder sempre por alguém mais fraco, porque aparentemente, sei defender-me. Se vou estar sozinha, mais vale estar preparada para isso à partida.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

100 Passa-Baixo 100 Passa-Banda 100 Passa-Alto

Ando sem vontade de me arranjar. Já engordei 7 kilos (queria pôr um número mais redondo, mas 5 era pouco e 10 já me fazia parecer redonda demais). Se vou estar o dia todo sentada a estudar ou nas aulas, e já que não estou com intenções de impressionar ninguém, arranjar-me parece-me uma perda de tempo. Ando sem vontade de arrumar a casa. Limpar, vá. Até tenho conseguido mantê-la num nível de arrumação aceitável (para mim, obviamente não para o meu pai...), mas deixei o pó instalar-se confortavelmente em toda e qualquer superfície que lhe parece...  confortável. Mas a casa é tão grande e preciso de quase um dia inteiro para a limpar, que me parece uma perda de tempo não perder esse tempo a estudar. Ando sem vontade de estar com as pessoas. Sem livros à frente. Não é falta de vontade. Podemos dizer que vamos beber um café e um café é coisa para demorar não mais que cinco minutos, mas não é verdade. Nem nós, nem a nossa companhia, merecem que demore só cinco minutos. E fico com uma comichão na alma a pensar que vou perder três horas de estudo (coisa que deixa o meu ficheiro-de-excel-aponta-meias-horas-de-estudo-e-vê-se-'tás-a-estudar-o-suficiente com umas cores vermelhas, laranjas e amarelas de falhanço piscológico (sim, foi de propósito... Uuuuuuh, parênteses dentro de parênteses!)). Por isso estudo. Estudo tudo que posso à espera da sensação de alívio e confiança que me vai fazer pensar que vou fazer as cadeiras de certeza. Continuo à espera.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Murtaugh

Traduzido de How I Met Your Mother:

"Ted: Então, um dia, nas profundezas da pior ressaca da minha vida, descobri que só havia uma pessoa no mundo com quem me conseguia identificar: o detective Roger Murtaugh, interpretado por Danny Glover, na obra prima dos anos 80, Arma Mortífera, conhecido pela mítica frase 'Estou velho para estas merdas.' É triste ter que admitir, mas conforme vamos ficando mais velhos, há coisas que simplesmente já não conseguimos fazer. É por isso que tenho uma lista, para que nunca cometa o erro de pensar que ainda consigo fazer directas."

 Marshal: Estou velho para estas merdas.

 Ted: Ou comer uma pizza inteira só com uma dentada.

 Marshal: Estou velho para estas merdas.

 Ted: Ou pendurar fotografias na parede sem moldura.

 Marshal: Estou velho para estas merdas."


A minha 'Murtaugh List':

          1. Técnico


Estou tão farta disto que faço qualquer coisa para me ver livre do Técnico. Até cadeiras.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

What?

Não falo chinês nem sou invisível. Porquê?

segunda-feira, 16 de março de 2009

Time's running out

Ando com pouca paciência. Para as pessoas, para a vida, para o mundo, para mim. Abro o autocad e enquanto espero que o autocad abra abro um blog ao acaso e enquanto espero que o blog carregue abro as espadas na internet e enquanto espero que os jogadores virtuais das espadas na internet joguem abro as minas. Ainda bem que as minas jogam-se tão rápido quão rápido for o meu click de rato. Senão não havia paciência. Não tenho paciência para a falta de paciência das pessoas que faz com quem não olhem para trás depois de atropelarem, sem querer, por querer ou a cagarem-se para saber, seja o que for. Não tenho paciência para a vida além da minha vida, aquela que me interessa e aquela pela qual acordo de manhã, ponho os brincos e tento não beber coca-cola. Não tenho paciência para um mundo que há muito muito tempo decidiu destruir-se e agora encolhe os ombros e diz que já vai tarde. Não tenho paciência para mim ponto Não tenho paciência para as minhas lamúrias para os meus cansaços para os meus quases lá para as minhas indecisões que ainda acho graça chamar-lhes dúvidas e que vírgula em boa verdade vírgula não têm graça nenhuma. Queria perguntas de escolha múltipla, receitas de resultados imediatos e decisões sem iterações. Não tenha paciência para passar ao lado, para passar de lado e às vezes não tenho paciência para passar de todo. Já cresci o suficiente para ter importância. Não estou com paciência para esperar por amanhã para não ter dois post's no mesmo dia.

The Big Ben Theory




I want to feel safe in all ways. At all times.
I want to feel wanted in all ways. At all times.
Eyes on the ball, head in the game.
All the time.

terça-feira, 10 de março de 2009

iPod com asas

É apropriado. É apropriado estar a olhar para aqui e estar a ouvir esta música. É apropriado pensar em ti, pensar em olhar para ti e ouvir... Não, não pode ser esta música. Dá-me um minuto, deixa-me carregar no botão da setinha para a frente. Muito melhor. Bem melhor, na verdade. Perfeito. Agora não consigo dizer nada, estou a ouvir a música que escolhi para ti (para nós?), não, para mim, a pensar em ti. Estou a ouvir a música e estou a sorrir. Não me podes ver e desconfio que nem conheças o meu sorriso, mesmo que já tenhas estado na presença dele. Simplesmente não estavas a olhar. Não faz mal porque já tomaste a decisão de olhar para o meu sorriso, para mim. E (espero não estar enganada) decidiste olhar para mim de outra maneira. E eu sei que quero olhar para ti de outra maneira. Quero olhar para ti, ver-te olhar para mim e quero poder-te pedir para olhares para nós, enquanto eu olho por nós. As músicas tomaram conta dos meus ouvidos e tomaram conta das palavras que estou a escrever agora, por isso não ligues. Não ligues se vires palavras com amor a mais, com esperança a mais, com saudade (alguma que seja), com milhões de coisas que ainda não me deste, que ainda não sabes se podes dar e (de certeza que não estou enganada) ainda nem pensaste em dar. Ou já?

sábado, 7 de março de 2009

Não há por quem lutar ou quem lute por nós

Quando estava do outro lado do meu mundo decidi que não ia dar importância. Não acredito que isso me faça forte. Só insensível. Mas vivemos num mundo em que temos que o saber viver sozinhos. Não existem sentimentos à prova de tudo, por isso temos que partir do princípio que, mais cedo ou mais tarde, vamos estar sozinhos. Porque vivemos num mundo em que já ninguém tem tempo para ninguém, por isso mais vale termos, pelo menos, tempo para nós. Não nos vai fazer mais fortes. Só insensíveis. Por enquanto ainda tenho que me dizer a mim mesma para não ligar. Mas um dia será automático. Espero que esse dia chegue rápido porque não tenho pressa nenhuma. Quero apenas sentir que não sinto nada.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

É que não havia necessidade nenhuma

Bem, eu às vezes leio cada porcaria... Isto para não dizer merda. Ponho-me a passear na internet às duas e trinta e oito da manhã, fuso horário gê eme tê e leio cada porcaria... Isto para não dizer merda mais uma vez (mais uma vez não, porque anteriormente, se bem me recordo, não disse). O que se passa é que estou cheia de sono e na minha birra de sono estou a fazer birra e não vou para a cama. Fazer birras é normal para uma pessoa que dorme no mesmo quarto que seus pais. Não, a idade não é para aqui chamada, principalmente a minha. Estou a bater o pé, num acto de revolta que ninguém vê, não interessa a ninguém e nem eu quero saber. Não vou dormir, ponto Acho que me dei conta que toda a gente sabe escrever tão bem como eu. E por isso, a porcaria que eu leio é a mesma porcaria que toda a gente me lê. E olha, que se lixe. Ou então não, porque só eu sei que estava a fazer tempo para escrever o meu livro. Estava a pensar que as duas e quarenta e três seria uma boa hora. Mas estou com sono, agora já não vale muito a pena. A comparação é uma bela merda. Não, não queria dizer porcaria. Acho que estou a escrever só para dizer que também sei escrever, porque as minhas esperanças de escrever bem foram dar uma volta ao bilhar grande. Olha, que se lixe ponto

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

See you in between

Acho que nem sei bem. Acho que nem sei bem quem sou, ainda. Ainda não me sentei para decidir quem vou ser. Sei quem fui. Gosto de quem fui. Sei o que sou agora, mesmo não sabendo quem sou e mesmo sabendo que é saber isso que me vai levar a saber o que vou ser. Não fui muito esperta nesse aspecto e agora não sei porquê,  não consigo parar de pensar em ti. Vamos viver felizes para sempre, o que te parece? Esperas uns minutos e eu já decido quem quero ser. Esperas uns segundos e eu já sei o que quero ser. Mesmo que não haja pressa nenhuma, mesmo que possamos perder muito tempo a perder tempo a pensar em tudo e a ter o cuidado de não pensar em nada e a nada fazer. Mesmo assim vamos ser felizes para sempre, está bem? Esperas uns dias e eu vou ter contigo, ou então vem tu ter comigo porque a verdade é que onde estamos não interessa, interessa que queremos aqui estar, aí estar ou estar lá. Isso não interessa mesmo nada, a não ser que vamos ser felizes para sempre, não é? Não te preocupes com a desgraça que sou neste momento, não te preocupes com a loucura que vivo neste momento, não queiras saber do que não fiz com a minha vida. Esperas uns meses e tudo isso passou, esperas uns anos e já ninguém terá memória disso, nem eu nem tu, nem mais ninguém que interesse, porque, em boa verdade, ninguém mais interessa. A verdade é que vamos ser felizes para sempre, certo? Por isso estou aqui, aí ou lá, os anos que forem precisos até tu perceberes, até olhares para mim, não assim, como estás a olhar agora (como acho que estás a olhar), mas para olhares e veres aquilo que vou ser, porque já o sou. Vamos ser felizes para sempre e não se fala mais nisso.

Catching up

Acho que nem sei bem. Acho que nem sei bem quem sou, ainda. Ainda não me sentei para decidir quem vou ser. Sei quem fui. Gosto de quem fui. Sei o que sou agora, mesmo não sabendo quem sou e mesmo sabendo que é saber isso que me vai levar a saber o que vou ser. Não fui muito amiga, já fui mais amiga, não sou assim tão tua amiga, mas gosto de ti. Acho eu. Não se gosta por imposição e mesmo da nossa família gostamos só se quisermos, por isso não me condenes por às vezes não gostar de ti. Porquê? Por tanta coisa. Por tudo que te ensinei e por te ter deixado passar-me à frente mesmo assim. Sim, passaste-me à frente. Não vês? Não vês onde estás, tudo que realizaste? Tenho tanto orgulho em ti que isso me faz não gostar de ti. Nem um bocadinho. Bom, talvez um bocadinho. Mas a verdade é que falamos de maneiras diferentes e falamos de coisas tão diferentes que se torna talvez um bocadinho insuportável falar contigo e estar contigo. Não me leves a mal, gosto muito de ti, mas não gosto de ti nem um bocadinho. Mas só durante este bocadinho.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Boa noite, pai

Odeio estar aqui sozinha. Estou aqui sozinha, na sala, e não te consigo explicar como me custa. Queria ter dezanove anos para poder pegar no telefone e pedir-te para vires para ao pé de mim, porque sei que contigo aqui, seria mais fácil. Mas já não tenho direito a isso. Tenho vinte e nove anos e não há coisa nenhuma que tenha feito com a minha vida até este momento. Tenho vinte e nove anos e não posso pedir para me pegares ao colo. Mesmo sabendo que pegarias se te pedisse. Mas não tenho direito nem a isso nem às oportunidades que ainda me dás. Mesmo nós os dois sabendo que só as dás porque fechamos os dois os olhos e fingimos que tenho dezanove anos. És a primeira pessoa a dizer-me que tenho que aprender a viver sozinha e que não posso depender dos outros para viver a minha vida, e és a primeira pessoa a largar tudo para me vir fazer companhia. Tem a sua graça. Não precisas de vir. Estou a chorar agora, estou a sentir falta de estar em casa, mas dá-me um minuto e já limpo as lágrimas e já me levanto. Desta vez vou-me levantar de uma vez e quando der por mim levantei-me tão depressa que dei um salto até aí. Quando der por mim já passou tudo. Por isso não precisas de vir, nem eu mereço que venhas. E nem vale a pena preocupares-te por me estar a sentir triste, porque estar a escrever é só mais uma (de muitas) desculpa(s) para não estudar durante cinco minutos. Eu finjo que não escrevi e tu finges que não leste. Boa noite, pai.