Admito que devo uns quantos pedidos de desculpa. Tenho que admitir. Foram desculpas que fugi de pedir, situções que evitei enfrentar, umas superadas com o tempo, outras por resolver e algumas que, provavelmente, nunca mais vão voltar a ser o que eram. Foram decisões que tomei (ou que fugi para não tomar) e tenho pena. Porque foram decisões de fraqueza e por isso tenho muita pena. Custa-me olhar à volta e ver os ventos que semeei, tenho medo das tempestades que vou ter que colher. Mas não faz mal (faz mal só um bocadinho). Não faz mal porque sempre aprendo e vocês também me aprendem. Sou capaz de aguentar umas quantas pancadas, mas admito (tenho que admitir) que chega a uma altura que desisto e vou-me embora. E a partir daí já não faz mal (nem sequer um bocadinho). E acho que somos todos assim, por isso a ti, a ti que não pedi desculpa só tens que escolher se é só mais uma pancada ou se finalmente te dei a pancada. E nesse caso, manda-me embora e deixa-me estar porque já não te mereço. De qualquer modo deitamo-nos todos (uns com os outros) nas camas que fazemos. Somos seres de livre arbítrio e tenho o direito de arbitrar as desculpas que peço, as culpas que esqueço e as desculpas que passo. São decisões que estou a tomar com a consciência que terei que viver com elas. Espero saber o que estou a fazer e se não souber, admito que me fará crescer. Tenho que crescer.

Digo que há culpas que não são minhas. Tenho que dizer. São culpas que se não admitir, vão fazer com que muita coisa nunca mais volte a ser o que era. São decisões que estou a tomar e não tenho pena. Porque são decisões pensadas com tempo, por isso não posso ter pena nenhuma. Não fui eu que semeei os ventos e recuso-me a colher tempestades que não me pertencem. Aguentei muitas pancadas, mas admito (tenho que admitir) que a altura chegou em que tive de desistir e ir-me embora. E a partir de agora já não faz mal (nem sequer um bocadinho). E acho que somos todos assim, por isso a ti, a ti que não pedi desculpa só tens que perceber que não foi só mais uma pancada, finalmente deste-me a pancada. E por isso mandei-te embora e peço para me deixares estar porque já não me mereces. De qualquer modo deitamo-nos todos nas camas que fazemos. Somos seres de livre arbítrio e tenho o direito de arbitrar as desculpas que peço, as culpas que esqueço e as desculpas que passo. São decisões que estou a tomar com a consciência que terei que viver com elas. Sei o que estou a fazer. Tenho que saber.

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