quinta-feira, 31 de julho de 2008

Não sinto o lado esquerdo

Hoje custa. Amanhã custa menos um bocadinho. Depois de amanhã custa menos um bocado. E cada vez vai custar menos. Também não existe inflação no amor. E chega o dia em que os gestos já não querem dizer nada e que as coisas são só coisas. Se existe solidão, é porque não há amor.

domingo, 27 de julho de 2008

How am I supposed to breathe with no air?

Já não sei fazer a cama. Já não sei pôr a almofada no meio. Acredito que não fomos feitos para viver sozinhos. Podemos gostar de momentos a sós e até podemos gostar desses momentos com frequência, mas ninguém foi feito para viver sozinho. Eu não fui feita para viver sozinha. Eu fui feita para encontrar a pessoa certa ou para passar a vida a procurá-la. Sou uma romântica. Acredito no amor. Amor é olhar para alguém a dormir e ver a pessoa mais bonita do mundo, mesmo despenteada, mesmo com a roupa mais velha, mesmo a ressonar. Amor é achar sempre graça à maneira como se usa uma expressão, mesmo depois de ouvi-la vezes sem conta, durante a vida toda. Amor é ter uma força no peito, um desejo ardente de dar a mão, só para sentir que a outra pessoa está mesmo ali, que não é só um sonho. Amor é querer partilhar o mais pequeno acontecimento do dia "hoje vi um cão dentro de uma bolsa de pôr à cintura, na cintura de um senhor gordinho que estava a passear pea praia", é ter uma vontade inexplicável de ligar logo a seguir porque o que se quer dizer não pode esperar, o amor não pode esperar. Amor é olhar para o resto do mundo, ver pessoas bonitas, ver pessoas interessantes e não sentir nada, os olhos vêem porque têm de ver, a cabeça reconhece a beleza porque a cabeça não pára, mas a barriga não sente o formigueiro, as pernas não perdem a força, o coração não bate de antecipação. Naturalmente. Amor é perdoar tudo. Chora-se, bate-se com os pés, fica-se triste, fica-se magoado, mas perdoa-se tudo. E o amor fica intacto, já nem se lembra do que sofreu. Amor é estar sozinho mas nunca sentir-se sozinho, é saber que há outra pessoa que está a pensar no mesmo, a sentir o mesmo, é saber que essa pessoa não vai a lado nenhum, é o conforto de saber que a procura terminou. No amor não existe solidão. Eu sei que falo muito em amor. Paciência. Acredito mesmo que a nossa missão nesta vida é encontrar amor. Só o amor dá felicidade absoluta, daquela que nos cega, daquela tão forte que até dói, daquela que nos faz sentir completos. Qualquer amor. Amor pela família que nos faz lembrar do amor pela vida. Amor pelos amigos, que não se cansam de nos lembrar que temos que nos lembrar do amor por nós próprios. Gosto de acreditar que o amor da minha vida anda por aí, só à espera que eu seja o amor da vida dele. Que se lixe o destino, no que eu acredito mesmo é no amor.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Quero uma resposta

Fazem-me falta pequenas alegrias. Um sim à primeira em vez de um não depois de muito insistir. Só a sensação de sermos especiais, de importarmos alguma coisa. Só a sensação de alegria pela alegria de nos fazerem companhia. Não os amigos. Sabemos que estão lá sempre mas nem sempre é isso que queremos. Queremos abrir a porta e ver que somos importantes fora do nosso mundo. Fazem-me falta pequenos alívios. Chegar a casa e não sentir aquela pontada. Sentir que tudo se vai resolver, que ainda tenho quem me diga que tudo se sai resolver. Não os amigos nem a família. Sabemos que nos resolvem todos os problemas, mas às vezes queremos poder mostrar-lhes o quanto crescemos. Fazem-me falta pequenos pormenores. Uns brincos. Faz-me falta a paz no meio da guerra. Faz-me falta o conforto de saber onde estão as coisas, como são e que não vão a lado nenhum. Faz-me falta algum brilho. Para onde foi? Não me lembro bem de o ter perdido. Faz-me tanta falta o meu brilho... Faz-me falta a simplicidade, não a propriedade. Faz-me falta não precisar de acertar, faz-me falta não ser certa, faz-me falta ser a certa. Fazem-me falta todas as coisas que reclamei para mim, tudo que era meu por direito, tudo por que lutei. Uma vez, outra vez, outra vez... E lutarei mais vezes, se fosse preciso provar alguma coisa. Não tenho nada a provar a ninguém. Não tenho que provar que sei viver, que estou a viver bem. Não tenho que provar que estou bem, que já passou porque tudo passa. Faz-me falta ter vontade que passe. Depressa. Faz-me falta ainda ter para onde olhar e saber que o próximo caminho é melhor. Faz-me falta a vontade de procurar um caminho, mas sinto que já cheguei onde queria. Se bem que ninguém acredite. O que isso interessa? Não tenho nada a provar a ninguém. Faço-me falta.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Patrocinada por uma bebida qualquer

Acredito que ainda há pessoas sérias. Acredito que ainda há pessoas que não falam sem pensar e acredito que se dizem certas coisas é porque acreditam nelas. Acredito que ainda se acredite no amor e que ainda há quem acredite que há uma pessoa certa para toda a gente e acredito que essas pessoas o que mais querem que tudo no mundo é encontrar a sua pessoa certa. Sendo assim, acredito que quando uma pessoa me disser que eu sou a mulher da sua vida, irá acreditar no que está a dizer. Acredito que quando essa pessoa falar comigo de filhos, casa, casamento, uma vida juntos; estará a falar a sério, não estará a falar da boca para fora. Por isso, nunca vai ser possível tudo isso desaparecer de um dia para o outro. Uma vida inteira juntos, a passada, a presente e a futura, como nós vamos ter, não irá desaparecer de um dia para o outro. Eu vou acreditar que essa pessoa acredita que sou a mulher da sua vida desde a primeira vez que me vir. Mas há algumas coisas que espero desta pessoa, esta pessoa que vou achar ser a certa para mim, que acho que me merece, que acho que me dará valor. Quando duas pessoas estão numa relação têm que aprender a fazer tudo juntas. As duas juntas arranjam os problemas e as duas juntas arranjam as soluções. As culpas deixam de ser só de uma pessoa porque já não se vive sozinho. Para o bem e para o mal. Essa pessoa não se poderá isolar quando as coisas correrem mal. Porque não é justo. Nem para mim, nem para ti. A culpa nunca vai ser só minha, mas mesmo que essa pessoa acredite que sim, vai dar-me oportunidade de me defender. No mínimo, vai dar-me a oportunidade de conversar. Porque essa pessoa não pode fugir a isso, porque passa a ser uma obrigação, a partir do momento em que decidirmos que vamos levar a relação a sério. Essa pessoa não vai poder deixar de atender o telefone, não vai poder deixar de responder às mensagens, não vai poder não ter paciência para falar. Não vai poder ir embora sem aviso e fechar-se no seu mundo. Não vai poder parar de pensar e de se preocupar comigo. Essa pessoa vai ter que se lembrar que me deixou sozinha com o sonho da Margarida, com o sonho do Rodrigo, com o sonho do vestido, com o sonho da quinta em Sintra, com o sonho de 125 m2 de sonhos. Com os nossos sonhos. Com sonhos que em tempos sonhámos juntos. Não vai poder simplesmente deixar de os sonhar e deixar-me sonhá-los sozinha. Por muito que lhe custe, por muito que lhe doa, por muito que lhe apeteça desaparecer, não o poderá fazer, vai ter que ficar. Mas vai poder sentar-se, desabafar, dizer o que lhe custa e o que o magoa e dizer-me de que precisa. Até pode dizer-me que naquele momento não precisa de mim. E talvez nós os dois consigamos arranjar uma solução, que não nos custe tanto, que não nos magoe tanto. Aos dois. Se já não pudermos acreditar nas pessoas, o que é que nos sobra?