sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Não há cabeça para títulos

A história que vos trago hoje é uma história de dor, por isso aviso desde já que não é para os fracos de coração. Tenho também que explicar, para que consigam perceber o que vos conto, que tenho um relógio que mede os meus batimentos cardíacos e que, em função desses batimentos, calcula as calorias que perco. Também não sabia que as calorias dependiam do bater do coração. Estamos sempre a aprender. Por isso, esta é uma história de dor, mas também uma história que ensina, o que é sempre um bónus. Bom, passemos então à história propriamente dita. Não vou começar com "era uma vez" porque esta é uma história moderna. Arrepiante, mas moderna.

Acordei às cinco da manhã com a cabeça a mil. Só tinha que me levantar quarenta e cinco minutos depois, mas voltar a dormir não era uma possibilidade. Tinha que parar a cabeça. Fui à procura da aula mais forte do meu (fantástico) ginásio. Por sorte também era a mais cedo. Vesti-me. Reparei que pus uma t-shirt tão o meu número que me chegava aos joelhos. Como eu gosto de estar no meu melhor aspecto no ginásio nem me preocupei em mudar de roupa. E aí vou eu, pick-up Avenida de Lenin acima. Cheguei e arranjei logo um lugar para estacionar o que é um bom agoiro. Estava desejosa de começar a aula e conseguir desligar a cabeça. Depois disso, a minha memória é um borrão. As pernas eram uma massa de dor, os pulmões estavam a tentar não ter um ataque de asma e o meu relógio recusou-se a medir a minha frequência cardíaca. Acho que não tinha dígitos suficientes ou simplesmente partiu do principio que eu tinha morrido. Estava a transpirar tanto que até tirei a minha t-shirt/vestido (NOTA: vou para o ginásio com um soutien de desporto, um top de desporto por cima e mais a t-shirt, que tenho material que precisa do seu apoio). Perdi a vergonha, cedi ao calor e o suor a escorrer-me pela barriga, pelos ombros, pela cara, pelo pescoço, e mostrei as minhas banhas indiscriminadamente. A minha cabeça estava mais preocupada em manter-me viva. E quando a aula acabou, olhei para o meu relógio e o que ele tem para me dizer é "vais-me desculpar mas com esse batimento cardíaco errático nem sequer conseguiste queimar o bananão que comeste há bocado". Então arrastei-me para a passadeira mais próxima para mais vinte minutos de exercício. As boas notícias (é verdade, existem!) são que consegui matar os pensamentos que me acordaram e que ainda tenho ritmo para acompanhar uma aula. Pernas, pulmão e coração não, mas lá ritmo para morrer ao ritmo da música, isso parece que ninguém me tira. O que tenho andado a fazer no ginásio é uma brincadeira, isto sim é puro sofrimento. Do bom. Bem bom.