quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Sílabas métricas? Não, não 'tou a ver...

Ir para a cama ou ficar aqui no sofá, eis a questão.

Qual me faz melhor, com qual me contento
Qual mellhor me acolhe, com qual me encanto
A cama que me seduz e promete tanto
O sofá com a segurança em pensamento

Quero fechar os olhos e viver cada momento
Não quero descobrir na cama o meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Quero o sofá e seu doce contentamento

E assim, quando mais tarde o procure
Quem sabe na cama, angústia de quem vive
Quem sabe no sofá, princípio de quem não ama

Eu possa dizer do descanso que tive:
Que foi doce e calmo o sonho que me chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Qual Shakespeare, qual Camões,

Sonetos às cinco da manhã é que é

Vou mazé pra cama que se faz tarde

Ai pois é, ai poizé.


Estava-me o post a correr tão bem...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

How cute am I?

Conhecer alguém não é fácil. Nos dois sentidos. O mundo está cheio de gente que não conhecemos, mas não basta sair da cama para conhecermos alguém. E não é fácil conhecer as pessoas que temos ao nosso lado. Eu sei que "eu conheço-te" é uma frase que usamos muito. Eu sei que uso muito. Eu tenho o péssimo hábito de conhecer muito bem as pessoas que tenho à minha volta. Podia pôr-me aqui a dizer que é porque me interesso muito pelas pessoas, mas a verdade é que o faço para minha própria protecção. Se conhecer o que me rodeia o melhor que puder, menores são as possibilidades de ser apanhada de surpresa. E eu odeio surpresas. Gosto de saber com o que posso contar. Gosto de saber que terreno estou a pisar. Mas a verdade é que, quando se trata de pessoas, não existe a noção de coisas certas nem terrenos seguros. Podemos conhecer bem as pessoas, mas podemos ter a certeza que elas farão sempre qualquer coisa que vá contra elas próprias. Por medo, por orgulho, por confusão... Eu sei que já fiz coisas que não são eu. Tantas vezes. Mas não é por isso que desisto de saber as pessoas de côr. Se bem que se algumas vezes me pode abalar a vida por me deparar com situações que não esperava, adoro as vezes em que o universo faz sentido e em que quando digo "acredita, eu conheço-te" vejo um brilho no olhar, mesmo que o corpo esteja a dizer que não. E o mesmo vai para pessoas acabadas de conhecer. Quando duas pessoas se estão a começar a conhecer muitas vezes preocupam-se com a coisa que menos importância tem. Em causarem boa impressão. Não falo em pôr mais perfume, a melhor camisola, ou tentar combinar os sapatos com os óculos escuros. Falo em conversas que não são nossas, atitudes que não têm nada a ver connosco, piadas que nem nós próprios achamos graça. Desde que outra pessoa ache graça. E mesmo que nós não achemos graça nenhuma à outra pessoa, temos sempre que fazer aquela forcinha para sermos o máximo. Nada pode ser mais errado. Não há nada mas interessante do que nós próprios. O simples nós. Os silêncios contragedores acontecem porque estamos à procura de uma coisa super cool para dizer quando nem sequer nos lembramos que a coisa mais estúpida que nos sai da boca pode fazer a outra pessoa pensar. E quem sabe, até pode estar a pensar em como somos bué (pareço uma pita...). Ou em como somos anormais, mas não interessa, porque se essa pessoa não se interessar pelo interessante nós, então essa pessoa que se vá lixar, porque convenhamos, nem sequer interessa nada. O que interessa mesmo é que olhem para nós, que gostem de nós e que, eventualmente nos amem. O resto é paisagem. Mesmo que às vezes seja uma bela paisagem... Anyway, isto tudo para dizer que não precisamos de espetar um garfo no rabo e embelezar as nossas histórias de vida. Cada um é o que é e cada um vale pelo que é. Somos todos porcas e parafusos e se a rosca não é igual à deste, há-de ser igual à do próximo e toda a gente sabe que os parafusos e as porcas vêm em caixinhas de muitos, não há só uma porca para um parafuso. Tira-se uma porca e um parafuso da caixa. Se enroscarem e fizerem o trabalho que têm a fazer, óptimo. Senão, as caixas estão mesmo ali à mão.

Senhor leitor, sabia que:

- não consigo levantar ou baixar o som do rádio sem o nível do volume ser um múltiplo de cinco?

- sempre que ando num chão que tenha azulejos vou dizendo "co-ca-co-la" conforme ponho primeiro um pé, depois o outro and so on?

- odeio usar coisas douradas e prateadas ao mesmo tempo?

- odeio usar coisas pretas e castanhas ao mesmo tempo?

- gosto do poder de desviar os carros das faixas de rodagem só por me encostar muito a eles, qual Moisés a fazer um risco ao meio no mar Vermelho?

- acho que os sapatos e as mãos dizem muito sobre uma pessoa?

- combato dor com dor?

- tenho um prazer especial por me sabotar?

- escondo coisas à vista?

- gosto de, pelo menos, mais dez centímetros do que eu nos homens?

- acredito em sinais?

- sou muito, muito, mas mesmo muito meiga? Um doce, mesmo?

- gosto de ser tratado como uma princesa?

- gosto que reconheçam em mim qualidades de uma guerreira?

- ainda falta dizer muito sobre mim?

- não há uma única pessoa que consiga ler esta lista e achar interessantes todos os pontos?

- o passado é história, o futuro é um mistério e o presente é uma dávida? E é por isso que se chama presente?

- que a frase anterior foi tirada de um filme em que um panda diz que "there's no price for awessomeness or attractiveness"?