Sabe-me bem o frio da minha cama quando me vou deitar no fim do dia. Sabe-me bem apenas por saber que em pouco tempo os cobertores vão lembrar-se das suas funções e vão aquecer-me o corpo. Primeiro as mãos, depois os braços, o tronco, as pernas e só no fim os pés. Acho que os meus cobertores sabem que só consigo adormecer quando tenho os pés quentes. Então aquecem-nos por último para que esteja acordada até que acabem o seu trabalho. Para que saiba que o fizeram e para que lhes possa estar grata. Acho que o fazem também para que possa gostar do frio da minha cama quando me vou deitar ao fim do dia, para que possa ter esse prazer. Para saber que agora estou fria, mas sabendo sempre que eles vêm em meu socorro. Porque vêm sempre, nunca falham. Acho que eles sabem o valor que dou a isso, a essa segurança, a essa confiança que posso ter neles. E é só por isso que me obrigam a ter consciência do seu trabalho, deixando-me com os pés frios até ao fim. Podia dizer-lhes que não é preciso, que eu acredito neles. Que eu acredito sempre. E nas noites em que estou mais cansada e já não consigo esperar pelos pés, deixo-me ir com a certeza que no dia seguinte quando acordar, os meus cobertores me aqueceram o coração durante a noite.
quinta-feira, 7 de junho de 2007
Sem ninguém ver
Sabe-me bem o frio da minha cama quando me vou deitar no fim do dia. Sabe-me bem apenas por saber que em pouco tempo os cobertores vão lembrar-se das suas funções e vão aquecer-me o corpo. Primeiro as mãos, depois os braços, o tronco, as pernas e só no fim os pés. Acho que os meus cobertores sabem que só consigo adormecer quando tenho os pés quentes. Então aquecem-nos por último para que esteja acordada até que acabem o seu trabalho. Para que saiba que o fizeram e para que lhes possa estar grata. Acho que o fazem também para que possa gostar do frio da minha cama quando me vou deitar ao fim do dia, para que possa ter esse prazer. Para saber que agora estou fria, mas sabendo sempre que eles vêm em meu socorro. Porque vêm sempre, nunca falham. Acho que eles sabem o valor que dou a isso, a essa segurança, a essa confiança que posso ter neles. E é só por isso que me obrigam a ter consciência do seu trabalho, deixando-me com os pés frios até ao fim. Podia dizer-lhes que não é preciso, que eu acredito neles. Que eu acredito sempre. E nas noites em que estou mais cansada e já não consigo esperar pelos pés, deixo-me ir com a certeza que no dia seguinte quando acordar, os meus cobertores me aqueceram o coração durante a noite.
Assinar:
Postagens (Atom)
