quinta-feira, 20 de agosto de 2009
It's all in my head and I can't shake it
Não vamos cair no engano de pensar que não estou assustada. Mas também não podemos cometer a besteira de pensar que não quero ir. Quero ir por duas razões. Primeira: quero estar lá. Segunda: não quero estar aqui. Foi o pior ano dos onze que aqui estive. Doze meses de desilusões. Quanto a isso não sei bem o que pensar, já que não podemos cair no erro de ignorar a estatística e fugir a chegar à conclusão que a culpa só pode ser minha. Não é assumir o papel de vítima nem porra nenhuma desse género. Achava que tinha milhões de amigos mas era uma adolescente histérica e parva e de repente vi-me sozinha. Comecei a recolher amigos como uma maluca e a prendê-los a mim como uma doida e de repente não me vi sozinha mas vi-me a precisar de corrigir alguns erros. Depois disso sim, vi-me (não de repente, que esta coisa da amizade é uma cena que puxa à manutenção) confortavelmente rodeada de pessoas por quem valia a pena fazer tudo, com a certeza que tudo fariam por mim. A vida levou-me para outra vida (e agora sim, bem de repente), uma vida que senti ser minha e que naquela altura precisava da minha dedicação mais do que qualquer outra coisa. Enganei-me e quando voltei para trás não encontrei nada do que deixei. Pensei que antes de partir tinha deixado doses de amor e carinho suficientes para esperarem por mim, e aprendi uma lição. Aprendi que esta coisa da dedicação é uma cena que não se ensina, não se empresta nem se garante. Ou está lá ou nunca estará. Não fazem dois dias que me disseram que temos que aceitar as pessoas como elas são. Mas há algum tempo, não muito, descobri que aceito que uma pessoa seja péssima com horas, fútil, criança, bruta, mal educada, preguiçosa, manienta ou distraída. Não aceito falhas de carácter. Se bem que é uma avaliação bem subjecitva, mas olha que merda, estou-me a cagar. Também tenho o direito de ser injusta e de não esquecer e de não olhar para o lado e de levar o que me apetecer a peito. Se me sinto magoada também tenho o direito de me revoltar e de não perdoar. Não perdoo. Para já não dá. E com o tempo as distâncias só ficam maiores, mas já pensei nisso e que seja. Tenho o direito de me sentir querida e não vou abicar dele. Vou-me embora sem olhar para trás, juro. Não deixo nada que vá sentir falta. Minto. Juro que vou sentir a vossa falta. A tua porque foste a única pessoa em quem senti a perda quando disse que me ía embora. E a tua porque te amo como nunca amei ninguém e porque me pertences e te pertenço para sempre, seja qual for a distância temporal, física ou outra qualquer que queriam por em cima de nós. Tudo o resto deixo cá sem remorsos. E peço desculpa por isso.
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