domingo, 18 de janeiro de 2009

Boa noite, pai

Odeio estar aqui sozinha. Estou aqui sozinha, na sala, e não te consigo explicar como me custa. Queria ter dezanove anos para poder pegar no telefone e pedir-te para vires para ao pé de mim, porque sei que contigo aqui, seria mais fácil. Mas já não tenho direito a isso. Tenho vinte e nove anos e não há coisa nenhuma que tenha feito com a minha vida até este momento. Tenho vinte e nove anos e não posso pedir para me pegares ao colo. Mesmo sabendo que pegarias se te pedisse. Mas não tenho direito nem a isso nem às oportunidades que ainda me dás. Mesmo nós os dois sabendo que só as dás porque fechamos os dois os olhos e fingimos que tenho dezanove anos. És a primeira pessoa a dizer-me que tenho que aprender a viver sozinha e que não posso depender dos outros para viver a minha vida, e és a primeira pessoa a largar tudo para me vir fazer companhia. Tem a sua graça. Não precisas de vir. Estou a chorar agora, estou a sentir falta de estar em casa, mas dá-me um minuto e já limpo as lágrimas e já me levanto. Desta vez vou-me levantar de uma vez e quando der por mim levantei-me tão depressa que dei um salto até aí. Quando der por mim já passou tudo. Por isso não precisas de vir, nem eu mereço que venhas. E nem vale a pena preocupares-te por me estar a sentir triste, porque estar a escrever é só mais uma (de muitas) desculpa(s) para não estudar durante cinco minutos. Eu finjo que não escrevi e tu finges que não leste. Boa noite, pai.