terça-feira, 13 de outubro de 2009
Nem metade
Não sei se é falta de auto-estima ou excesso de confiança. Acho que nunca chega a ser uma coisa nem outra. Mas sei que oscilo entre um ponto e outro sem me decidir se gosto de mim ou não. Nunca consegui perceber se tenho valor ou se sou só uma fraude. Uma colagem de mentiras tão bem feita que às vezes me engana a mim também. E faz-me gostar de ser quem sou. Não estou a ter um ataque de dúvida de personalidade. Sei bem quem sou. Mas ainda não percebi se gosto ou não. Gosto de gostar de estar sozinha. A minha música, os meus livros, as minhas pernas em passo de corrida. Os filmes não. Os filmes são para me esquecer. Gosto desses momentos em que posso tudo contra qualquer mundo. Gosto da sensação de enfrentar o meu mundo. Mas depois continuo a olhar para outros mundos, mesmo quando sei que já é tarde. Quem sou eu? A que luta sozinha ou a que tem medo de lutar sozinha para sempre? Gosto de ouvir a minha cabeça a trabalhar. As engrenagens a encaixarem no sítio e a tirar sentido de tudo. Porque tudo tem que fazer sentido. Mas depois agarro em palavras, frases, sentimentos, sentidos, olhares sem conseguir agarrar o seu significado. E não me deixo chegar à conclusão que, não é que não façam sentido, simplesmente não existe nada para ligar. Qual sou eu? A cabeça racional ou o coração sem lógica? Não é uma luta entre as minhas qualidades e os meus defeitos. Só ainda não percebi se gosto da soma dos dois.
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