segunda-feira, 26 de março de 2007

Porque às vezes há coisas que preciso dizer

Agora que penso nisso, apaixonar-me perdidamente nunca me trouxe nada de bom. Muito pelo contrário. Eu já sou muito pouco estável sozinha e por incentivo próprio, por isso quando me apaixono perdidamente, é uma verdadeira tragédia. Muito choro, muita gargalhada. Nem uma coisa, nem outra muito sinceras. Fico com o coração a mil, com a cabeça a uma milésima. Perco o meu lado lógico e racional e começo a fazer disparates e a tirar conclusões totalmente disparatadas. E, invariavelmente, quando me apaixono perdidamente, nunca acaba bem, e às vezes nem chega a começar. E agora que perdi um bocadinho a pensar nisso, apaixonar-me perdidamente nunca me trouxe nada de bom. Daí reconhecer a necessidade de não o voltar a fazer.

Eu não gosto muito de Lisboa. Nunca fui muito feliz por aqui. Mas não posso deixar de gostar do tempo sem tempo desta cidade. Das primaveras dentro do inverno, dos verões ainda na primavera e daquele frio cortante que nos apanha despercebidos no meio do calor intenso. Não posso deixar de gostar dessas piadas de mau gosto do tempo sem tempo de Lisboa. Que às vezes se esquece que devia estar frio e põe a temperatura acima dos vinte. Que vê toda a gente com roupa quente, preta e triste e lhes espeta com um sol que pede roupa quente na cor, fresca no sentir, vermelhos, verdes, cor-de-rosinhas de felicidade. Não consigo deixar de gostar de aqui estar às vezes. Por causa da aventura que é vestir-me de manhã. Por causa da aventura que foi viver aqui, crescer aqui, encontrar-me aqui. Não consigo deixar de gostar de ti, Lisboa. E apesar de te odiar, de nunca me teres feito feliz, nunca te vou conseguir agradecer o quanto sou feliz em ti.