Daqueles dias em que ponho a música nos phones no máximo e tento esquecer tudo. Com medo que tudo se esqueça de mim. Daqueles dias em que outro cheiro me parece enxofre, que outra proximidade me parece errada e outro toque me faz querer gritar “Porra, parem de me pisar, empurrar e de chocar contra mim!”. Mas quando abro a boca o momento já passou. Sem raiva. Daqueles dias em que prendo o cabelo todo e me esqueço dos brincos. Sem interesse. Daqueles dias em que agradeço saber o caminho de cor, mas quando chego vejo que demorei quase o dobro do tempo e me pergunto onde me perdi. Sem noção. Daqueles dias em que dou um passo para o lado para me desviar do buraco e acerto em cheio na lama. Sem reflexos. Daqueles dias em que, a meio do caminho, reparo que não está sol mas eu estou de óculos escuros, e passado um bocado me pergunto porquê que o dia me parece tão escuro só para reparar que não tirei os óculos. Daqueles dias em que passo o dia a olhar para o telefone e fico agradecida por estar calado, mas sem saber porquê que está calado. Sem respostas. Daqueles dias em não me apetece chorar, não me apetecer rir, não me apetece fingir que estou bem, nem explicar que não estou mal. Só dormente. Sem sentidos. Daqueles dias em que não quero lembrar-me das últimas coisas que disse, das últimas coisas que ouvi, da forma que tomaram com o tempo, com o significado que lhes tirei sem querer, sem saber, tarde e que me deixou sem vontade de retaliar. Sem fogo. Daqueles dias em que o que sinto parece fome só por ser também vazio. Sem instintos além do de acabar o dia.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
The way you see me
Daqueles dias em que ponho a música nos phones no máximo e tento esquecer tudo. Com medo que tudo se esqueça de mim. Daqueles dias em que outro cheiro me parece enxofre, que outra proximidade me parece errada e outro toque me faz querer gritar “Porra, parem de me pisar, empurrar e de chocar contra mim!”. Mas quando abro a boca o momento já passou. Sem raiva. Daqueles dias em que prendo o cabelo todo e me esqueço dos brincos. Sem interesse. Daqueles dias em que agradeço saber o caminho de cor, mas quando chego vejo que demorei quase o dobro do tempo e me pergunto onde me perdi. Sem noção. Daqueles dias em que dou um passo para o lado para me desviar do buraco e acerto em cheio na lama. Sem reflexos. Daqueles dias em que, a meio do caminho, reparo que não está sol mas eu estou de óculos escuros, e passado um bocado me pergunto porquê que o dia me parece tão escuro só para reparar que não tirei os óculos. Daqueles dias em que passo o dia a olhar para o telefone e fico agradecida por estar calado, mas sem saber porquê que está calado. Sem respostas. Daqueles dias em não me apetece chorar, não me apetecer rir, não me apetece fingir que estou bem, nem explicar que não estou mal. Só dormente. Sem sentidos. Daqueles dias em que não quero lembrar-me das últimas coisas que disse, das últimas coisas que ouvi, da forma que tomaram com o tempo, com o significado que lhes tirei sem querer, sem saber, tarde e que me deixou sem vontade de retaliar. Sem fogo. Daqueles dias em que o que sinto parece fome só por ser também vazio. Sem instintos além do de acabar o dia.
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