quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Um resto de tudo

O que mais gosto nas festas são os restos. Os rissóis geladinhos no pequeno almoço do dia seguinte. A sobremesa de bolo de anos durante uma semana. Os litros de coca-cola na geleira. É por isso que gosto de fazer as festas em casa. Porque posso acordar de manhã e ainda sentir o resto do rebuliço no ar. Porque em todas as divisões há um resto de qualquer coisa que me faz lembrar. O resto do cartão rasgado com a excitação. O resto da loiça que ainda não foi lavada. Aquele resto de chão sujo onde o cansaço da vassoura já não conseguiu chegar. O resto dos jogos que ainda não foram guardados. O resto da sombra com brilhantes na cara que não se tirou para não quebrar o feitiço de beleza da noite anterior, e fazê-lo durar só mais um bocadinho. O resto de todos os cheiros e de todos os momentos que fizeram aquela festa ser especial. O resto de todos os agradecimentos que ficaram por fazer. Obrigada a todos por terem vindo, obrigada a todos por se terem divertido e por me terem divertido a mim, obrigada a todos pela atenção, obrigada a todos por todas as surpresas, obrigada a todos por todos os sentimentos, os vossos e os meus. Obrigada a todos por me mostrarem que há coisas que realmente valem a pena e que o resto é para esquecer. O que mais gosto nas festas são os restos. O resto de bolo de anos e este resto de felicidade. Este resto de perfeição.

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