Há palavras tão fortes. Fortes demais para serem ditas. Mas por serem tão fortes conseguem passar por todas as outras e ficar mesmo à saída da garganta. E esperam até me apanharem despercebida. E então saltam cá para fora juntamente com as outras, bem embrulhadas, mas se alguém estiver atento e se esse alguém tiver capacidade para isso, vai perceber. Vai perceber que disse não dá na altura certa. Na altura certa para mim, porque isso a minha cabeça sabe sempre, mesmo que o meu coração estejas aos gritos para voltar a tentar. Ele não sabe o que diz. Tem a memória curta e depois de dois dias não se lembra do que sofreu, do que me fez sofrer. De como me custou levantar quando só queria desaparecer. Se alguém estiver atento vai perceber que disse gosto de ti cedo demais. Cedo demais para se ouvir. Cedo demais para ser dito. Porque muitas vezes o meu coração prega-me partidas na sua pressa de amar. Por isso é cedo demais, é sempre cedo demais. Tão cedo que quero atrasar estas palavras para nunca mais, quero não ter vontade de as ter debaixo da língua, tão prontas para sair que não conseguem esperar na garganta. Há palavras tão fortes. Tão fortes que, enquanto as temos só para nós, nos sentimos presos, enquanto as temos cá dentro elas prendem-nos. E estão sempre a insinuar que se as deixarmos ir tudo correrá bem, vamos sentir-nos mais livres, vamos sentir-nos livres para as repetir e voltar a repetir até terem sido bem percebidas. Mas eu não as ouço. Finjo que não as ouço e faço de conta que não estão lá. Não quero saber delas e vou buscar outras palavras mais minhas amigas, que não exijam tanto de mim. Mas sei onde elas me vão encontrar. Sei onde elas estão à minha espera. Nos meus sonhos não vou conseguir escapar delas e vou ter que dizê-las. Vou dizê-las na altura certa e à pessoa certa. Gosto de ti e não dá.
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Porque às vezes há coisas que não devo dizer
Há palavras tão fortes. Fortes demais para serem ditas. Mas por serem tão fortes conseguem passar por todas as outras e ficar mesmo à saída da garganta. E esperam até me apanharem despercebida. E então saltam cá para fora juntamente com as outras, bem embrulhadas, mas se alguém estiver atento e se esse alguém tiver capacidade para isso, vai perceber. Vai perceber que disse não dá na altura certa. Na altura certa para mim, porque isso a minha cabeça sabe sempre, mesmo que o meu coração estejas aos gritos para voltar a tentar. Ele não sabe o que diz. Tem a memória curta e depois de dois dias não se lembra do que sofreu, do que me fez sofrer. De como me custou levantar quando só queria desaparecer. Se alguém estiver atento vai perceber que disse gosto de ti cedo demais. Cedo demais para se ouvir. Cedo demais para ser dito. Porque muitas vezes o meu coração prega-me partidas na sua pressa de amar. Por isso é cedo demais, é sempre cedo demais. Tão cedo que quero atrasar estas palavras para nunca mais, quero não ter vontade de as ter debaixo da língua, tão prontas para sair que não conseguem esperar na garganta. Há palavras tão fortes. Tão fortes que, enquanto as temos só para nós, nos sentimos presos, enquanto as temos cá dentro elas prendem-nos. E estão sempre a insinuar que se as deixarmos ir tudo correrá bem, vamos sentir-nos mais livres, vamos sentir-nos livres para as repetir e voltar a repetir até terem sido bem percebidas. Mas eu não as ouço. Finjo que não as ouço e faço de conta que não estão lá. Não quero saber delas e vou buscar outras palavras mais minhas amigas, que não exijam tanto de mim. Mas sei onde elas me vão encontrar. Sei onde elas estão à minha espera. Nos meus sonhos não vou conseguir escapar delas e vou ter que dizê-las. Vou dizê-las na altura certa e à pessoa certa. Gosto de ti e não dá.
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