Hoje um cheiro fez-me lembrar uma altura da minha vida que já não me lembrava que tinha existido. Fez-me lembrar de uma pessoa que já fui, tão longe da que sou hoje. Fez-me lembrar de como era frágil. Fez-me lembrar que se aqui estou hoje, foi porque nessa altura tive que ser mais forte do que a minha força me permitia. Fez-me pensar que não sei como fui capaz. Como fui capaz de me pôr de pé, continuar de pé e caminhar pela estrada que me trouxe até aqui. Olho para trás e não sei se seria capaz de o voltar a fazer. Olhei para trás e vi tanta coisa. Mais sofrimento do que me lembrava, menos alegrias daquelas que pensei ter. Feridas que sararam escondidas do mundo, gritos mudos do coração e da alma, dias sem rumo à procura de um abrigo. Olhei para trás e consegui ver-me a fazer pinturas de guerra que hoje já não sei apagar e pinturas de sonhos que já não me lembro de ter. Olhei para trás e vi um grande caos. Olho para a frente e penso que depois disto, sou capaz de tudo. Menos de voltar para trás. Talvez por hoje me ter lembrado de como conseguia subir da terra para o céu num segundo, para voltar para o chão em menos de nada, consegui finalmente perceber porque é que o meu copo agora só passa de meio vazio para meio cheio. Um copo cheio é uma vida completa de coisas que mais tarde ou mais cedo vão evaporar, vão deixar o copo vazio e vão deixar-me a mim vazia, vão deixar-me sozinha. Mas quando o céu e a terra se unem por causa do momento em que a razão perde para o coração, não tento explicar o inexplicável, não tento perceber como pôde ser tão rápido, nem me assusto com o sentir que posso tudo e que por um olhar faço tudo. Porque nesse momento sinto que essa loucura me faz falta todos os dias, que um dia sem sentir a respiração parece um ano, um minuto sem ver as certezas no olhar faz-me sentir sem vida. Nessa altura vou deixar o meu dia acabar perfeitamente lamechas ou lamechamente perfeito...
terça-feira, 19 de junho de 2007
Face to palm, heart to ground
Hoje um cheiro fez-me lembrar uma altura da minha vida que já não me lembrava que tinha existido. Fez-me lembrar de uma pessoa que já fui, tão longe da que sou hoje. Fez-me lembrar de como era frágil. Fez-me lembrar que se aqui estou hoje, foi porque nessa altura tive que ser mais forte do que a minha força me permitia. Fez-me pensar que não sei como fui capaz. Como fui capaz de me pôr de pé, continuar de pé e caminhar pela estrada que me trouxe até aqui. Olho para trás e não sei se seria capaz de o voltar a fazer. Olhei para trás e vi tanta coisa. Mais sofrimento do que me lembrava, menos alegrias daquelas que pensei ter. Feridas que sararam escondidas do mundo, gritos mudos do coração e da alma, dias sem rumo à procura de um abrigo. Olhei para trás e consegui ver-me a fazer pinturas de guerra que hoje já não sei apagar e pinturas de sonhos que já não me lembro de ter. Olhei para trás e vi um grande caos. Olho para a frente e penso que depois disto, sou capaz de tudo. Menos de voltar para trás. Talvez por hoje me ter lembrado de como conseguia subir da terra para o céu num segundo, para voltar para o chão em menos de nada, consegui finalmente perceber porque é que o meu copo agora só passa de meio vazio para meio cheio. Um copo cheio é uma vida completa de coisas que mais tarde ou mais cedo vão evaporar, vão deixar o copo vazio e vão deixar-me a mim vazia, vão deixar-me sozinha. Mas quando o céu e a terra se unem por causa do momento em que a razão perde para o coração, não tento explicar o inexplicável, não tento perceber como pôde ser tão rápido, nem me assusto com o sentir que posso tudo e que por um olhar faço tudo. Porque nesse momento sinto que essa loucura me faz falta todos os dias, que um dia sem sentir a respiração parece um ano, um minuto sem ver as certezas no olhar faz-me sentir sem vida. Nessa altura vou deixar o meu dia acabar perfeitamente lamechas ou lamechamente perfeito...
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