terça-feira, 19 de junho de 2007

Foste quase tudo para mim, sem saberes

Estive a ler-me de trás para a frente e descobri que tu foste o meu ponto de viragem. Foi o teu jogo que me fez mais cuidadosa. Foi a tua indiferença que me fez presente. Foi o teu interesse que me fez doente. Doente por ti. Foi depois de fazeres o meu coração um trapo que decidi que tinha que parar. Que tinha que encontrar o equilíbrio e a força que tu não tinhas. Tinha que recuperar o equilíbrio e a força que tu me tinhas roubado. Enquanto fugia de ti não fui capaz de reparar que era em direcção a ti que corria. Corri a olhar para trás, contente por já não te ver, só para chocar contra ti. E de novo perdi a cabeça e deixei-me envolver nas tuas conversas de criança que por estúpidos momentos me pareceram uma língua de carinho que só eu conseguia perceber. Perdi-me e esqueci-me de pensar. Voltei a perder-me em ti e por ti. Mas como seria de esperar, não demorou muito até que me voltasses a voltar as costas. Olhei à volta e não vi nada. Não te vi a ti e não vi nada do tudo que tinha. Por ti perdi a cabeça e por ti perdi tudo. Mas por me ter perdido por ti consegui perceber que o tudo que tinha afinal não era nada, nunca tinha sido nada, senão não te teria deixado existir em mim. Foi quando voltaste a ser o meu ponto de viragem. Tinha de encontrar outro tu por quem me perder. O tu que eras já não me chegava.

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