domingo, 17 de junho de 2007

I'm a hazard to myself

Não sei se é demais ou se sou eu que sou de menos. Não sei se é mesmo muito pesado ou se sou eu que tenho pouca força. Não é só por causa de uma coisa que me deixo escorregar. É por causa de todas. Todas que se tornam todas mais uma e de repente o meu teatro cai. Torna-se insuficiente e eu caio. Eu sou uma pessoa feliz. Nem por um dia duvido disso. São os meus pais, a minha irmã, o meu sobrinho, a minha cusina, os meus primos, as minhas tias, são os meus amigos, é a cabeça, é a cara, é o corpo, é a casa, é o carro, é a saúde, é o açúcar que cristaliza e me emperra as engrenagens, é o tudo que tenho e o nada que me falta. É tudo e eu tenho tudo. Nem por um dia duvido disso. Mas um dia todas as coisas transformam-se em todas as coisas mais uma e eu caio. Então encosto-me ao vidro para ver para fora sem deixar ninguém ver para dentro. Lamento o que tenho que lamentar, lamento o meu maior defeito, sinto a dor no peito, deixo-a ficar durante um bocado porque sentir dor nem sempre faz mal. Deixar-me estar sem forças nem sempre é mau. Faz-me lembrar que tenho mais força que isso e faz-me pensar em toda a força que vou precisar para sair. Limpo a vergonha da cara e desencosto-me do vidro. Levanto a cabeça e que se lixe, mais uma vez. E outra e outra. Não é com a minha tristeza que o mundo vai parar. Não é com a tristeza que o meu mundo vai parar. Não largo o meu mundo completo por nada e não deixo a minha vida ser vivida por mais ninguém. Sou forte, sou fraca, sou bonita, sou feia, sou doce, sou uma besta e raios me partam se não sou capaz de levar com tudo em cima.

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